Alípio C Neto – The Perfume Comes Before the Flower

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Alípio C Neto Quartet The Perfume Comes Before the Flower (Clean Feed)

Alípio C Neto saxophone tenor
Herb Robertson trompete
Ken Filiano contrabaixo
Michael T.A. Thompson soundrhythium percussionist
Ben Stapp tuba (nos temas 3,4,5)

O saxofonista e compositor brasileiro (de Floresta, Pernambuco) que reside e trabalha em Lisboa está a tornar-se num caso muito sério, e “The Perfume Comes Before the Flower” atesta que a sua importância está a extravasar a cena jazzística nacional. Com parceiros como os nova-iorquinos Herb Robertson (trompete e corneta com surdinas, flautas), Ken Filiano (contrabaixo) e Michael T.A. Thompson (baterista e percussionista “soundrhytium”), e ainda o jovem tubista californiano Ben Stapp em três das faixas, este novo CD do líder dos grupos transnacionais IMI Kollektief e Wishful Thinking (também com edições na Clean Feed) tem todas as condições para abrir portas e janelas de oportunidade para este determinado músico que dá pelo nome de Alípio C. Neto. E porquê? Porque é um excelente disco, e sem dúvida que um dos melhores títulos lançados em 2007 (até à data, pelo menos).Entre duas tradições, a do hard bop e a do free jazz, e duas abordagens, a composição e a improvisação, esta é umamúsica feita de associações: entre timbre e textura, “drive” e detalhe, organização estrita e quase caos. Até as peças têm dois títulos cada, à vossa escolha, e se o perfume chega mesmo “antes da flor”, podem perguntar o que aparece primeiro nestes sons, se o “ovo” ou a “galinha”. Nunca conseguirão obter uma resposta, tal é a mistura de materiais e referências aqui percebida. Soberbo e fundamental, se quiserem saber para onde vai o jazz por estes dias.

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David S. Ware – Renunciation

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David S. Ware Renunciation (Aum Fidelity)

David S. Ware saxofone tenor

Matthew Shipp piano

William Parker contrabaixo

Guillermo E. Brown bateria

Gravado no Vision Festival em 2006, Renunciation documenta a última aparição do quarteto nos palcos norte-americanos.

David S. Ware volta a demonstrar toda a sua classe na balada “Ganesh Sound” e no épico “Renunciation Suite”

Renunciation é uma homenagem aos desaparecidos: Larry Curtis Potts, Dewey Redman, Michael Brecker e Alice Coltrane.

Frank Kimbrough Play

 

Frank Kimbrough Play

Frank Kimbrough piano

Masa Kamaguchi contrabaixo

Paul Motian bateria

“….a maioria das minhas gravações foram feitas com músicos que conheço à muito tempo, para Play quis fazer algo de diferente, como se fosse uma nova partida…”

Frank Kimbrough

Mais do que a presença do baterista Paul Motian, este sétimo album do pianista Frank Kimbrough como líder não tem paralelo na já longa obra gravada de um dos mais notáveis pianistas da actualidade.

Kimbrough está em verdadeiro estado de graça, as suas potencialidades como compositor e pianista são vibrantes, dinâmicas e estão longe do egocentrismo que por vezes deixam tudo a perder . O trio funciona como um todo…a música flui, respira e torna-se etérea. Motian é um mestre da subtileza, capaz de um grande domínio de espaços através do ritmo. O contrabaixista Masa Kamaguchi através do seu som escuro e misterioso contribui para que Play seja um dos grandes discos de piano do últimos anos.

Brian Groder | Torque

Brian Groder

 

 

 

 

 

Bom trompetista, este Brian Groder, merecedor de que o seu nome seja mais reconhecido do que é. Mas como a realidade das coisas funciona assim, “Torque” está a chamar as atenções não tanto pela qualidade superior das composições e dos improvisos do líder e da excelente secção rítmica constituída por Doug Mathews e Anthony Cole, e sim pelo facto de o homem da flauta e dos saxofones se chamar Sam Rivers. E um Rivers nada diminuído pela sua já provecta idade, intenso sempre e por vezes até surgindo com a força de um tornado. A geral atmosfera do disco tem algo da dos finais da década de 1950, altura em que se espalhavam as sementes do free jazz, mas é tudo menos nostálgica, tirando argumentos a quantos lamentam o saudosismo da “new thing” hoje existente mas não fazem igual crítica às actuais reproduções do bop, considerando este o limite e o apogeu do “verdadeiro jazz” e por isso justificadamente repetível, se possível ad eternum.

Pois o que aqui está é bem o jazz tal como se entende nos nossos dias, swingado, vibrante e pleno de vitalidade. Neste aspecto, a contribuição de Cole, o baterista, é fundamental. Segura os remos e chega a transformar-se no próprio barco, como no solo de “Involution” (título de sabor irónico?), algo que já não vai sendo habitual ouvir em disco. Mas não se pense pela descrição que ao longo das faixas é tudo meia bola e força: Groder pode ter um som quente, muito particularmente quando pega no fliscórnio, mas a sua lógica discursiva é sempre acentuadamente melódica e prefere a subtileza (reparem como ele lida com as dinâmicas) ao óbvio. Quanto a Sam Rivers, oiçam o pico agridoce do seu som ao tenor e tentem lembrar-se de mais alguém que toque assim… Não encontraram um nome que fosse, pois não? Mais um motivo para ouvir o presente álbum com a devida atenção, pois aos 83 anos este magnífico saxofonista não terá, infelizmente, muito mais estrada para percorrer. Além de que, na música como nas artes vinículas, o número de primaveras somadas continua a ser uma garantia de refinamento.

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