25 Fev 19h30 último concerto Improvisível II

25 de Fevereiro 19h30


Solo 1

Luís Lopes guitarra eléctrica

Com formação nos blues e no rock – Jimi Hendrix é a sua mais detectável influência –, Luís Lopes é um dos mais singulares guitarristas do jazz progressivo e da livre-improvisação praticados em Portugal, à frente de grupos como o Humanization Quartet, com Rodrigo Amado e os irmãos Aaron e Stefan González, e o trio que ouvimos em 2009 no álbum “What is When”, com Adam Lane e Igal Foni. Cada vez mais orientado para uma intervenção “noise”, os seus conceitos vão-no aproximando de algo que poderia fazer um Keiji Haino que tivesse seguido as pisadas de Sonny Sharrock.

Solo 2

Flak guitarra eléctrica

Personagem de topo do rock português, tendo sido um dos fundadores dos Rádio Macau, Flak é também um dos pilares do grupo pop electrónico Micro Audio Waves, recomendado pelo prestigiado John Peel aos microfones da BBC e distinguido pelos Qwartz Electronic Music Awards. Em paralelo, foi-se revelando também como improvisador, ao lado de Nuno Rebelo, Carlos “Zíngaro”, Rodrigo Amado, Rafael Toral e Vítor Rua, entre outros. Compõe ainda para cinema e é o produtor de discos de Jorge Palma, Bunnyranch, Requiem e MAU. Em ambos os mundos que atravessa, nunca dele é de esperar o óbvio.

Duo

Luís Lopes / Flak

entrada 5 euros


Novidades Clean Feed

Jorrit Dijkstra Pillow Circles

Jorrit Dijkstra saxofone alto
Tony Malaby saxofone tenor e soprano
Jeb Bishop trombone
Oene Van Geel viola
Paul Pallessen guitarra e banjo
Raphael Vanoli guitarra
Jason Roebke contrabaixo
Frank Rosaly bateria

Mais um passo entre os muitos que tem dado no seu novo porto de abrigo, a América, Jorrit Dijkstra tem em “Pillow Circles” uma suite de composições escrita para um ensemble de seis elementos que junta quatro músicos das cenas de Nova Iorque e Chicago, Tony Malaby, Jeb Bishop, Jason Roebke e Frank Rosaly, e os – tal como ele – holandeses Oene van Geel, Paul Pallesen e Raphael Vanoli. Neste CD, volta o free jazz a encontrar-se com o rock “indie” e com a electrónica, incluindo homenagens a Henry Threadgill, George Lewis, Michel Waisvisz e (surpresa!) Joe Strummer, o vocalista da banda punk The Clash. A guitarra eléctrica está em proeminência (são dois os guitarristas), mas também alguns dispositivos electrónicos “vintage”, como o lyricon e a crackle box, uma invenção “lo-fi” do recentemente falecido Waisvisz. Junta-se-lhes uma estratosférica secção de sopros, com saxofones e trombone, numa nunca antes ouvida associação de Dijkstra com Malaby e Bishop. A música vai de situações melódicas e “groovy” às mais intrigantes abstracções, lidando inventivamente com texturas e dinâmicas. Sem sombra de dúvida, um disco “must have, must listen”.

Kirk Knuffke Amnesia Brown

Kirk Knuffke trompete
Doug Weisselman clarinete e guitarra
Kenny Wollesen bateria

Poucos músicos conseguem ser tão unânime e entusiasticamente aplaudidos com um disco de estreia em nome próprio, mas tal aconteceu com o trompetista Kirk Knuffke e o seu CD “Bigwig” (Clean Feed). Pois ei-lo de volta com um segundo opus, tendo como parceiros duas figuras com as quais está associado há já alguns anos, Doug Wieselman (clarinete, guitarra eléctrica), como ele um dos integrantes da Nublu Orchestra de Butch Morris, e Kenny Wolleson (bateria), um frequente colaborador de John Zorn e líder de diversas bandas que incluem Knuffke. Mais uma vez, os resultados são sensacionais e até surpreendentes. Há mais para ouvir nesta colecção de temas do que o habitual free bop com que está identificada a presente cena nova-iorquina. E nada há aqui de amnésico: o título refere-se apenas a um episódio familiar. “Amnesia Brown” é o pseudónimo dado pela mãe de Kirk Knuffke ao seu bisavô, que desapareceu para uns anos mais tarde ser encontrado em outra cidade com um novo apelido, Brown, uma nova família e nenhuma memória do passado. Aqui, a história está bem lembrada, mas inserida numa proposta musical claramente na linha da frente.

RED trio RED trio

Rodrigo Pinheiro piano
Hernani Faustino contrabaixo
Gabriel Ferrandini bateria

O RED trio é um caso único em Portugal. O que fazem Rodrigo Pinheiro (piano, piano preparado), Hernani Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria, percussão) nada tem de comum com o que já se ouviu neste pequeno país europeu conhecido pelo particular dinamismo das suas cenas do jazz, da música improvisada e do experimentalismo. Mesmo considerando um cenário mais global, o certo é que poucos trios de piano existem no mundo que possam ser comparados com este que agora se estreia em disco. E para começar porque não se trata, realmente, de um trio de piano. O pianista não é a figura central, mesmo que imediatamente se evidenciem as capacidades virtuosísticas e inventivas de Pinheiro, e a secção rítmica… bem, de facto não é uma secção rítmica, o contrabaixo e a bateria sempre intervindo lado a lado com o instrumento harmónico. Esta é uma música colectiva, sem papéis hierárquicos para os intervenientes, e convenções como a melodia e a pulsação são, regra geral, subvertidas, ou substituídas por construções texturais instantâneas. A meio de todas as abstracções criadas, as conexões com o jazz não se perdem e na verdade até estão bem presentes: Thelonious Monk e Cecil Taylor são influências reconhecíveis, mesmo que distantes. O mesmo se poderá dizer relativamente às óbvias referências na música contemporânea, e designadamente em Messiaen e Ligeti. Esta é uma música muito intensa, por vezes até violenta, mas com espaço para o detalhe. Uma excelente surpresa!

Fight the Big Bull All is Gladness in the Kingdom

Jason Scott saxofone tenor, clarinete
J.C. Kuhl saxofone tenor, clarinete
John Lilley saxofone tenor
Steven Bernstein trompete, slide trompete
Bob Miller trompete
Reggie Page trombone
Bryan Hooten trombone
Matt White guitarra
Cameron Ralston contrabaixo
Brian Jones percussão
Pinson Chanselle bateria
Eddie prendergast baixo eléctrico ( faixa 7)

O guitarrista, compositor e arranjador Matt White está de volta com a sua singular “big band” Fight the Big Bull. E traz consigo um convidado muito especial, Steven Bernstein, que toca o seu trompete em todo o percurso do disco, contribui com duas composições, participa nos arranjos e co-produz. Sentimos a sua presença em todos os ângulos e áreas da música, mas este é, indubitavelmente, um projecto emanado da criatividade de White. Mais uma vez, detectam-se referências directas ou indirectas a Charles Mingus, e muito especialmente ao álbum “The Black Saint and the Sinner Lady”, mas plasmadas numa visão muito pessoal e em linha com a actualidade do jazz. Ouvimos desde melodias em unísono a situações livres e muito próximas do caos organizado, e desde balanços “groovy” a maravilhas contrapontuais que certamente fariam o orgulho de Bach. O bem-humorado, mas irónico, “All is Gladness in the Kingdom” tem um foco particularmente interessante: as relações construídas entre a secção de sopros (Jason Scott, J.C. Kuhl, John Lilley, Bernstein, Bob Miller, Reggie Pace e Bryan Hooten) e a guitarra eléctrica em distorção de Matt White, navegando sobre a base rítmica possante garantida pelos percussionistas Brian Jones e Pinson Chanselle e pelo contrabaixista Cameron Ralston – num dos temas com o reforço de Eddie Prendergast e do seu baixo eléctrico. Tudo soa como uma máquina a ensandecer, e isso é belo.

Sei Miguel Esfíngico – Suite for a Jazz Combo

Sei Miguel trompete de bolso, direcção
Fala Mariam trombone
Rafael Toral electrónica
Pedro Lourenço baixo eléctrico
César Burago percussão

A imprensa especializada internacional apresentou já Sei Miguel como o “mais bem guardado segredo” da música criativa portuguesa. Começa a não ser verdade: a arte deste idiossincrático trompetista já circula pelos quatro cantos do mundo, e este intrigante mas belo CD – o primeiro que lança na Clean Feed – é mais uma forte contribuição para lhe ser feita inteira justiça. Posicionado nas franjas da cena lisboeta do jazz devido às suas muito pessoais abordagens (John Cage sendo uma referência tão importante quanto as de Chet Baker e Don Cherry), ouvimo-lo em “Esfíngico” a trabalhar com um formato clássico, a suite. E sem dúvida que sentimos cada peça, ou movimento, como a parte de um conceito composicional globalizante. De novo com Sei Miguel encontramos Rafael Toral, um nome que vem merecendo mundial celebração, sobretudo nos circuitos da música electrónica e experimental, e um confesso admirador do músico. Os outros membros do grupo são os habituais parceiros de Miguel: a muito fluente Fala Mariam (trombone alto), o seguro e oportuno Pedro Lourenço (baixo eléctrico) e o essencialista César Burago (percussão). Claro se torna que a partitura seguida foi criada para estes instrumentistas e não para os seus instrumentos, tal como Duke Ellington fazia, e tal implica que a música ouvida tem dimensão humana, cooperativa, participada e, mais importante ainda, sentida.

13 Fev 21h30 Concerto de apresentação do disco “Depois de Alguma Coisa” de Gonçalo Prazeres

13 Fev 21h30

Concerto de apresentação “Depois de Alguma Coisa” de Gonçalo Prazeres.

Gonçalo Prazeres saxofone alto
Nuno Costa guitarra
Demian Cabaud contrabaixo
Luís Candeias bateria
Jeffery Davis vibrafone (convidado)

O saxofonista e compositor Gonçalo Prazeres lança agora o seu primeiro trabalho discográfico “Depois de Alguma Coisa”, constituído integralmente por temas originais.
Para Gonçalo Prazeres o mais importante na música deste disco é o modo como os músicos a tocam: a entrega e a cumplicidade na procura de uma interacção, de um som de grupo coeso, da música que se pode criar tendo como ponto de partida cada uma das suas composições. Para alcançar isto, é necessário um grupo formado por músicos com influências musicais muito variadas e de mente aberta. E por isso o saxofonista considera que se faz acompanhar neste trabalho pelos músicos ideais e em quem diz ter pensado imediatamente quando decidiu avançar com este projecto: Nuno Costa (guitarra), Demian Cabaud (contrabaixo), Luís Candeias (bateria) e, como convidado especial, Jeff Davis (vibrafone).
Em “Depois de Alguma Coisa” Gonçalo Prazeres procurou respeitar ao máximo a ideia original de cada tema para manter o mais possível a pureza da sua primeira inspiração. A música é orgânica e fluida e foge às delimitações do que habitualmente se considera mainstream ou “vanguarda”. Espelha as influências de diversos estilos musicais e distingue-se por ser concebida com o propósito de fomentar a espontaneidade criativa e a identidade musical de todos os elementos do grupo. Neste sentido, Gonçalo Prazeres procura ambientes e estruturas de improvisação que sejam um desafio à criatividade dos músicos, que os ponham fora da zona confortável e provoquem interacções e modos de tocar menos óbvios. Tudo isto tentando sempre respeitar a orgânica natural de cada tema.
Aluno da Berklee College of Music, Gonçalo Prazeres estudou com saxofonistas tão distintos (mas unânimes na forma inclusiva, e não exclusiva, como tocam) quanto George Garzone, Tony Malaby e Steve Lehman, deles tendo herdado a flexibilidade discursiva e a ausência de preconceitos relativamente a materiais, estilos, técnicas, etc.
“Depois de Alguma Coisa” é a uma estreia discográfica que revela que muita coisa já se passou no percurso musical de Gonçalo Prazeres, que tem, agora, muita e boa música para partilhar com o público habituado ao melhor.

Entrada 5 euros

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