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AUM058

Joe Morris Quartet Today on Earth

Joe Morris guitarra
Jim Hobbs saxofone alto
Timo Shanko
contrabaixo
Luther Gray bateria

Com poucos meses de intervalo (o anterior “Wildlife” é de Julho passado), eis que surge o segundo álbum de um grupo que conta com quatro anos de existência. Este simples facto dá bem conta do apreço que o guitarrista Joe Morris tem por este projecto partilhado com Jim Hobbs (saxofone alto), Timo Shanko (contrabaixo) e Luther Gray (bateria). Mais estruturada do que é habitual nos grupos que lidera ou em que participa, a música agora oferecida pelo seu quarteto é bem mais “boppish” do que poderíamos esperar, dá especial ênfase ao “swing” das suas bases rítmicas e usa como mote simples e sugestivas melodias, tanto assim que quase têm um efeito folk. Não fosse a forma inovadora e original como Morris toca a guitarra e teríamos em “Today on Earth” algo de muito próximo do “mainstream”. Especialmente interessante é o tema “Animal”, que mais do que marcar o retorno a um formato convencional, abre no trajecto deste músico uma via que, tudo o indica, será muito interessante de percorrer. Na faixa-título, Hobbs dá vazão às suas influências parkerianas e ao mesmo tempo remete-nos para a sonoridade da “loft generation”, muito em especial a do altista Makanda Ken McIntyre, uma linhagem que não deixou muitos descendentes. Se já muitos indícios anunciavam tal desfecho, é com este disco que aquilo a que se vai chamando de free jazz faz definitivamente as pazes com a tradição.

AUM057

Darius Jones Trio Man’ish Boy (A Raw & Beautiful Thing)

Darius Jones saxofone alto
Cooper-Moore
piano, diddley-bo
Rakalam Bob Moses
bateria

O nome de Darius Jones já vinha sendo muito pronunciado de boca para orelha, mas fora os préstimos que foi gravando como “sideman” (de William Hooker, Mike Pride e Trevor Dunn, por exemplo) e os seus concertos em trio com Adam Lane e Jason Nazary no outro lado do Atlântico – trio esse que, por sinal, surge na faixa bónus deste CD, “Chaych” – não havia um documento em que protagonizasse um projecto seu e no qual encontrássemos totalmente expostas as suas próprias ideias. Eis, finalmente, que chegou esse disco, o seu primeiro como líder. Com o apoio de Cooper-Moore no piano e num instrumento da invenção deste que se parece muito com um baixo eléctrico, o diddley-bo, e de Rakalam Bob Moses na bateria, o que encontramos em “Man’ish Boy” é uma muito agradável surpresa. A cada passo denunciando as suas origens sulistas (é natural da Virginia), o que implica perspectivas bastante diferentes das vigentes nas cenas de Nova Iorque ou de Chicago, Jones apresenta uma música de grande frescura, com toda a evidência na esteira do Ornette Coleman da década de 1960, mas abrindo-se para o desconhecido. O que quer dizer que, num livro de história, o do free jazz, em que pouca inovação verdadeiramente se tem registado nos últimos anos, ele acaba de acrescentar uma nova página.

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The Core & More Vol. 1 The Art of No Return

Jørgen Mathisen saxofone tenor e clarinete
Jonas Kullhammar saxofone tenor
Vidar Johansen
saxofone barítono, clarinete baixo e composição
Magnus Broo trompete
Erlend Slettevold
piano
Steinar Raknes contrabaixo
Espen Aalberg
bateria

Se os noruegueses The Core estavam a tornar-se num caso incontornável do novo jazz escandinavo, estes dois discos consagram-nos como uma das bandas maiores do momento não só no Norte da Europa como em todo o continente. O duplo “Goronka Love” inclui extractos de três concertos realizados na Polónia entre 2007 e 2008, alguns dos temas ainda com a participação do saxofonista Kjetil Moster, outros com o seu substituto, o muito jovem – e surpreendente – Jorgen Mathisen. A matriz está no jazz modal do Coltrane tardio, mas a presença de um Fender Rhodes e o recurso às rítmicas “groovy” do funk e à energia do rock lembram o Miles Davis electrificado, sem o copiarem. A estrela da formação é indubitavelmente Erlend Slettevoll, que com o seu traficadíssimo piano eléctrico seria capaz, sozinho, de levantar qualquer audiência das cadeiras. Acontece, porém, que a base pulsativa constituída pelo contrabaixista Steinar Raknes e pelo baterista Espen Aalberg não se deixa eclipsar: o “drive”, a força e o delírio até desta música começa por eles. E quanto aos saxofones é o que se ouve: Moster identifica liberdade com pujança e Mathisen entende-a como um convite à argumentação – e note-se que mais pela divergência do que pela retórica. Se neste álbum o convidado especial é o DJ Lenar, o qual está muito longe de ter funções decorativas, em “The Art of No Return” o quarteto, já com Jorgen Mathisen plenamente estabelecido como membro permanente, conta com as preciosas contribuições de Vidar Johansen, Jonas Kullhammar e Magnus Broo. A suite interpretada é da pena do primeiro, e mais uma vez se evidencia a referenciação em Miles. Não o do período coberto pelo anterior título, mas o que teve a colaboração de Gil Evans em obras de fundo como “Miles Ahead”. O registo é totalmente distinto, com muita orquestração (são sete os músicos, mas parecem por vezes mais), uma maior subtileza de conteúdos, menos lastro para improvisos individuais e uma sonoridade integralmente acústica, com um piano de cauda no lugar do instrumento de que se disse cobras e lagartos quando surgiu em cena. Mas não se pense que o resultado é menos intenso e galvanizante. O que aqui temos são as duas faces de uma mesma moeda. Uma moeda de ouro, acrescente-se.

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Maryland Live!

Maria Kannegaard piano
Håkon Kornstad
saxofone tenor
Ole Morten vågan
contrabaixo
Håkon Mjåset Johansen
bateria

As abordagems musicais de Maria Kannegaard sustentam-se fortemente na tradição pianística do jaz, mas é com uma situação abstracta que abre esta gravação ao vivo realizada na edição de 2008 do Vossa Jazz Festival. Quando o tema da primeira faixa tem exposição, o que é logo confirmado pela segunda peça do disco, percebêmo-la alinhada com os conceitos composicionais do presente jazz americano, especialmente preocupado com a sugestibilidade melódica. Mas a receita aplicada não se fica por aí, e depressa percebemos que este é mais um produto da particular criatividade escandinava. Alternam-se situações de intensidade expositiva e de lirismo intimista, numas e em outras a pianista indo de síncopes monkianas aos refinamentos construtivos aprendidos em Bill Evans, no interim transparecendo por vezes os rasgos improvisacionais que deram fama a Jarrett. Assim, se os formatos são pacíficos, porque em plena conformidade com os padrões estabelecidos, é o que vai acontecendo dentro deles que eleva a qualidade desta proposta. A qual, volta e meia, nos surpreende e desarma, seja pela oportunidade e pela imaginação de uma determinada figura subitamente introduzida ou devido à excelência técnica das execuções de Kannegaard, com a vantagem de estas nunca resultarem em exibições de virtuosismo. Nos Maryland desta dinamarquesa radicada na Noruega destaca-se o saxofonista Hakon Kornstad. Mais conhecido pelo seu percurso no jazz electrónico, o também mentor dos Wibutee dá nestas faixas dimensão poética a uma música que sabe swingar.

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