Fight the Big Bull – Dying Will Be Easy

Fight the Big Bull Dying Will Be Easy (Clean Feed)

Matt White guitarra

Pinson Chanselle bateria

Cameron Ralston contrabaixo

Brian Jones percussão

Bob Miller trompete

Reggie Pace trombone

Bryan Hooten trombone

J.C. Kuhl saxofone tenor

Adrian Sandi clarinete

Como com certeza saberão, o jazz é uma música baseada naquilo que se fez no passado, havendo quanto a esse aspecto duas diferentes atitudes: uma em que simplesmente se reproduzem esses materiais, sem que se lhes acrescente algo digno de nota, e outra que encara o património como um ponto de partida para se ir até outros lugares. O noneto Fight the Big Bull de Matthew White é claramente um exemplo deste último tipo de abordagem. E o que é particularmente delicioso neste disco é o facto de cada composição jogar ostensivamente com as referências históricas. O título do CD é a primeira pista: “Dying Will Be Easy” refere-se a um blues de Blind Willie Johnson, “Jesus Make Up My Dying Bed”. Outras associações se sucedem, faixa a faixa. “Black Saint and the Sinner Lady” de Charles Mingus, “Escalator Over the Hill” de Carla Bley com a Jazz Composers Orchestra, “New Orleans Suite” de Duke Ellington e reminiscências do Art Ensemble of Chicago, dos Lounge Lizards, de Archie Shepp (que, a propósito, também utilizou a instrumentação deste disco, trompete, saxofone tenor, clarinete e dois trombones – mais tuba – em “Mama Too Tight”), de Mike Mantler e outros tantos são memórias vivas desta música. Nas suas “liner notes”, o trompetista Steven Bernstein detecta esta circunstância com evidente prazer e tal como se estivesse a desmontar uma máquina. Mas se esta obra é um desafio aos conhecimentos enciclopédicos dos amantes do jazz mais empedernidos, a real importância da música tocada não está, obviamente, nesse jogo, mas na forma como a criatividade de todos os envolvidos vai além das ideias, das soluções e das técnicas já estabelecidas. Sendo o projecto de um homem, que compõe e arranja todos os temas, é surpreendente o enfoque colectivo atingido. Não há uma hierarquia fixa por aqui, e se existe, é “negativa”, pois o líder e guitarrista parece estar ao serviço do ensemble em vez de colocar este sob o seu protagonismo. O que é uma lição de democracia, algo que também diz respeito à música.

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