Concerto Katsura Yamauchi

Katsura Yamauchi saxofone

2 Junho

19h30

Katsura Yamauchi, o músico conhecido como salmo sax, integra Lisboa na sua digressão Europeia. Katsura é um músico especial, único. Talvez por ser um amante puro da música e da natureza em paralelo. Sempre  explorou as diversas potencialidades dos seus sopros no seio da natureza, perto de cascatas e outros locais com acústicas invulgares ou mesmo parcialmente submerso em belos lagos. Ao longo de cerca de duas décadas  construiu, de forma autodidacta sem influências de qualquer circuito musical, uma linguagem singular e original. Na última década foi descoberto por Otomo Yoshihide e facilmente foi absorvido pela  cena free jazz japonesa, onde tem tocado com notáveis improvisadores, como : Otomo Yoshihide, Toshinori Kondo, Misha Mengelberg, Han Bennink, Barre Phillips,  Michel Doneda, Norbert Moslang, Gunter Muller…

entrada 3 euros

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Novos discos das editoras Aum Fidelity, High Two e Thirsty Ear

His Name His Alive Sweet Earth Flower a tribute to Marion Brown

Warn Defever guitarra, piano

Elliot Bergman saxofone tenor, fender rhodes

Jamie Saltsman contrabaixo

Justin Walter trompete

Jamie Easter percussão

Dan Piccolo bateria

Michael Herbst saxofone alto

Erik Hall piano eléctrico

Olman Piedra congas

Roy Campbel Ensemble Akhenaten Suite

Roy Campbell trompete

Billy Bang violino

Bryan Carrott vibrafone

Hilliard Greene contrabaixo

Zen Matsuura bateria

Rob Brown Ensemble Crown Trunk Root Funk

Rob Brown saxofone alto

Craig Taborn piano, electrónicas

William Parker contrabaixo

Gerald Cleaver bateria

Spring Hell Jack Songs & Themes

Roy Campbell trompete, flauta

John Coxon guitarra, baixo, sampler e violino

Ashley Wales sampler

John Tchicai saxofone alto e tenor, clarinete baixo

John Edwards contrabaixo

Tony Marsh bateria

Orphy Robinson vibrafone

J Spaceman guitarra (tema 9 e 12)

Mark Sanders bateria (tema 7)

Ruppert Clervaux bateria

Scotty Hard’s Radical Reconstructive Surgery – John Medeski/Mathew Shipp

John Medeski orgão, wurlitzer, moog, clavinet e piano

Matthew Shipp piano, wurlitzer, orgão

William Parker contrabaixo

Nasheet Waits bateria

DJ Olive giradiscos

Mauricio Takara bateria

Scotty Hard caixa de ritmos, sampler, percussão

Concerto Luís Lopes/Gabriel Ferrandini

28 Maio

19h30

Luís Lopes guitarra

Gabriel Ferrandini bateria

entrada 3 euros

TRiSoNTe na Trem Azul

TRiSoNTe

21 Maio

19h30

TRiSoNTe é um projecto que ultrapassa as barreiras  estilísticas onde a improvisação e a interacção entre os músicos são as únicas regras.  Surgiu da simples ideia de criar um projecto musical sem baixista e explorar as diferentes sonoridades que podem surgir através dessa instrumentação e da improvisação  colectiva.   O repertório de TRiSoNTe é composto pelos seus elementos a pensar nas várias texturas e sonoridades possíveis com esta  instrumentação e estes músicos e não num estilo musical    previamente definido.  Em alguns concertos têm um VJ que manipula e projecta  imagens dando um caractêr mais interdisciplinar e visual a  este projecto, resultando numa maior interacção com o público.  Entre os vários concertos que deram destaca-se a  participação no 2º Festival Internacional de Saxofone de Palmela.

Ricardo Barriga guitarra, laptop

Gonçalo Prazeres sax alto, efeitos

Rui Pereira bateria

Miguel Cordeiro teclado

www.myspace.com/trisonte

entrada 3 euros

Fight the Big Bull – Dying Will Be Easy

Fight the Big Bull Dying Will Be Easy (Clean Feed)

Matt White guitarra

Pinson Chanselle bateria

Cameron Ralston contrabaixo

Brian Jones percussão

Bob Miller trompete

Reggie Pace trombone

Bryan Hooten trombone

J.C. Kuhl saxofone tenor

Adrian Sandi clarinete

Como com certeza saberão, o jazz é uma música baseada naquilo que se fez no passado, havendo quanto a esse aspecto duas diferentes atitudes: uma em que simplesmente se reproduzem esses materiais, sem que se lhes acrescente algo digno de nota, e outra que encara o património como um ponto de partida para se ir até outros lugares. O noneto Fight the Big Bull de Matthew White é claramente um exemplo deste último tipo de abordagem. E o que é particularmente delicioso neste disco é o facto de cada composição jogar ostensivamente com as referências históricas. O título do CD é a primeira pista: “Dying Will Be Easy” refere-se a um blues de Blind Willie Johnson, “Jesus Make Up My Dying Bed”. Outras associações se sucedem, faixa a faixa. “Black Saint and the Sinner Lady” de Charles Mingus, “Escalator Over the Hill” de Carla Bley com a Jazz Composers Orchestra, “New Orleans Suite” de Duke Ellington e reminiscências do Art Ensemble of Chicago, dos Lounge Lizards, de Archie Shepp (que, a propósito, também utilizou a instrumentação deste disco, trompete, saxofone tenor, clarinete e dois trombones – mais tuba – em “Mama Too Tight”), de Mike Mantler e outros tantos são memórias vivas desta música. Nas suas “liner notes”, o trompetista Steven Bernstein detecta esta circunstância com evidente prazer e tal como se estivesse a desmontar uma máquina. Mas se esta obra é um desafio aos conhecimentos enciclopédicos dos amantes do jazz mais empedernidos, a real importância da música tocada não está, obviamente, nesse jogo, mas na forma como a criatividade de todos os envolvidos vai além das ideias, das soluções e das técnicas já estabelecidas. Sendo o projecto de um homem, que compõe e arranja todos os temas, é surpreendente o enfoque colectivo atingido. Não há uma hierarquia fixa por aqui, e se existe, é “negativa”, pois o líder e guitarrista parece estar ao serviço do ensemble em vez de colocar este sob o seu protagonismo. O que é uma lição de democracia, algo que também diz respeito à música.

Editora da Downtown Music Gallery disponível na Trem Azul

Selwyn Lissak Friendship Next of Kin / Facets of the Universe

Mongezi Feza trompete

Mike Osborne saxofone alto

Kenneth Terroade saxofone tenor, flauta

Harry Miller contrabaixo

Earl Freeman contrabaixo, piano, voz

Selwyn Lissak bateria

Louis Moholo percussão

Quando se fala dos “free-jazzers” sul-africanos que se exilaram em Londres e contribuíram para o “boom” da improvisação em terras britânicas, é habitual esquecer um nome, o de Selwyn Lissak. A justificação está no facto de o baterista ter apenas gravado dois discos antes de trocar a música por uma carreira artística na área da escultura holográfica, sendo que apenas um deles foi em nome pessoal e teve edição numa subsidiária da francesa BYG/Actuel, a Goody. Pois foi esse álbum de 1969, um dos que Thurston Moore (Sonic Youth) colocou na sua lista de preferidos do free jazz original, que a DMG Arc em boa hora reeditou. Com Lissak estão três outros refugiados do Apartheid, Mongezi Feza (trompete), Harry Miller (contrabaixo) e Louis Moholo (percussão), um inglês, Mike Osborne (saxofone alto), um jamaicano, Kenneth Terroade (saxofone tenor, flauta) e um norte-americano, Earl Freeman (piano, contrabaixo, voz). “Friendship Next of Kin” ganhara uma aura de “obra perdida”, tanto assim que só se encontravam raros exemplares do LP num par de lojas de coleccionadores e em leilões da Internet, a preços altíssimos, mas apesar da superior qualidade da música não se pode dizer que seja uma referência fundamental da New Thing. Se algo tem da característica visão sul-africana que os Blue Notes e a Brotherhood of Breath de Chris McGregor cunharam, os modelos perseguidos são os da música que na altura faziam Albert Ayler (o tema da faixa-título parece mesmo saído da estante do saxofonista) e a Arkestra de Sun Ra (influência particularmente evidente em “Facets of the Universe”). O especial interesse do CD decorre do facto de, com a sua existência, a história documental do free ficar mais completa. Este relançamento fez com que Selwyn Lissak aceitasse voltar a segurar num par de baquetas para um concerto em que teve a companhia de William Parker, Roy Campbell e Brice Winston, mas o desejado regresso está por se verificar. O que quer dizer que ainda não foi desta que voltou à casa do jazz um dos seus filhos desavindos.

Last Exit Live in Europe

Peter Brotzmann saxofones e clarinete

Sonny Sharrock guitarra

Bill Laswell baixo

Ronald Shannon Jackson bateria

Bem que Peter Brotzmann procurou recuperar um pouco da aura destes Last Exit com o projecto em que recentemente envolveu Marino Pliakas e Michael Wertmuller, mas o certo é que o supergrupo formado na década de 1980 possuía uma fórmula única e irrepetível, só entendível numa determinada conjuntura. Na continuação da vaga punk-funk-jazz iniciada pela Prime Time de Ornette Coleman, só podia ser explosiva a junção daquele que foi um dos protagonistas da chamada “estética do grito” surgida na Europa do Maio de 68 e do Baader-Meinhof com um dos raros guitarristas do free jazz, Sonny Sharrock, ainda para mais considerando a costela hendrixiana e “destroyer” que sempre caracterizou este, e com Bill Laswell, o baixista das formações de art rock Material e Golden Palominos, e Ronald Shannon Jackson, o baterista, precisamente, da mencionada Prime Time. Gravado ao vivo em concertos realizados na Suécia e na Alemanha no ano de 1989, este disco reeditado pela “label” da nova-iorquina Downtown Music Gallery recorda-nos os Last Exit no melhor enquadramento que podiam ter – o “live”. Selvagem, agressivo, “noisy” e com um irresistível fascínio pelo caos, este foi o free de depois do free, eléctrico e de fusão, tendo dado origem a muito do que depois aconteceu nas margens do jazz e do rock, dos Naked City aos japoneses Ruins. A morte de Sharrock condenou o grupo, mas a semente ficou e ainda vivemos as suas consequências. Os títulos das faixas (só alguns exemplos: “Lizard Eyes”, “Headfirst Into the Flames”, “Hanged Man Are Always Naked” ou “I Must Confess I’m a Cannibal”) são retirados de passagens de “The Journal of Albion Moonlight”, do poeta e pintor Kenneth Patchen, a quem chegaram a chamar St. Madman. Pois a música tem o mesmo grau de loucura, recuperando algum do visionarismo que tivera a No Wave uma década antes e indo mais fundo na exploração das semelhanças (!!!!) entre a facção hardcore do rock e a New Thing mais extremista.

The Stone Quartet DMG @ The Stone

Joelle Léandre contrabaixo

Marilyn Crispell piano

Roy Campbell trompete, flauta

Mat Maneri viola

Gravado no The Stone, o espaço dirigido por John Zorn em Nova Iorque, durante a edição de 2006 do DMG New Music Magic Mystery Festival, este álbum é o único documento de um quarteto “improvável” que junta a contrabaixista francesa Joelle Léandre, numa das suas raras aparições públicas na Big Apple, a três músicos americanos que, apesar da proximidade geográfica, não têm por hábito tocar juntos. Aliás, bem diferentes são os percursos de Marilyn Crispell, Roy Campbell e Mat Maneri, a primeira tendo adoptado uma abordagem pianística acentuadamente lírica, em contraste com a sua anterior discursividade tayloriana (chegou a dizer-se que era uma versão feminina de Cecil Taylor), o segundo desenvolvendo um free bop de cunho pan-africanista e o terceiro destacando-se pela forma como associa a linguagem jazzística com elementos do serialismo. Sabendo que a aparente líder do grupo, Léandre, não se considera uma executante de jazz, dividindo a sua actividade entre a interpretação de compositores eruditos e a improvisação livre, suspeita à partida quem coloca este CD no leitor que ou ouvirá o registo de uma sessão de experimentalismo improvisado ou de jazz de câmara. Embora nem uma, nem outra, mas ambas essas expectativas se confirmem, “DMG @ The Stone” lida mais com as coordenadas específicas do jazz do que poderíamos esperar, resultando pouco experimental e pouco camerístico, não obstante os níveis de abstracção e a introspectividade das construções. Como seria natural num primeiro encontro, muito do que aqui ouvimos é tentativo, mas quando os quatro músicos efectivamente “colam” a música consequente é de primeira água. A nós agrada-nos especialmente o que Crispell faz ao longo destas faixas e que é substancialmente distinto dos seus mais recentes títulos na ECM, não obstante repetir o despojamento das suas intervenções nos mesmos, mas se o objectivo de quem adquire este disco é conhecer o melhor que podem fazer Léandre, Campbell e Maneri, as escolhas terão de ser outras.

Concerto Carlos Bechegas/Carlos Santos/Ulrich Mitzlaff

14 Maio

19h30

Carlos Bechegas flautas
Carlos Santos laptop
Ulrich Mitzlaff violoncelo

Dois instrumentos acústicos e um laptop, em solos, duos e trios: formato em sequência aberta de improvisações, expondo narrativas num pluralismo de enunciados e alternância de contrastes. Discurso heterodoxo e fragmentado na apologia de técnicas extensivas da flauta e violoncelo. Assimetrias polifónicas, texturas, sonoridades abstractas… registadas e glosadas em tempo real por processos digitais, que creditam e potenciam imprevisíveis interacções dos compositores interpretes.

entrada 3 euros

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