Novidades da Moserobie

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Ludvig Berghe Trio Vol. IV – 48 and Counting (Moserobie)

Ludvig Berghe piano
Lars Ekman contrabaixo
Daniel Fredriksson bateria

O jazz que nos chega dos países escandinavos não pára de nos surpreender. Quando pensávamos já conhecer tudo do melhor que se faz no Norte da Europa, graças aos catálogos de etiquetas como a Moserobie, eis que novos coelhos saem da cartola. Ludvig Berghe é mais um excelente pianista da
cena sueca, e este “48 and Counting” tem a particularidade de ser um pouco mais “out” (ainda que sem sair do formato “mainstream” do trio de piano jazz) do que o anterior “Unplayed Venue” – e isso apesar de os dois discos terem sido gravados nas mesmas sessões de estúdio. Os temas têm um fôlego maior e são mais geométricos, embora nunca perdendo o “drive” enraízado no bop que caracteriza este músico de 38 anos.

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Torbjorn Zetterberg Skildrar Kvinnans Kamp (Moserobie)

Joakim Rolandson saxofone alto e soprano
Jonas Kullhammar saxofone tenor
Per Texas Johansson saxofone tenor e clarinete
Alberto Pinton saxofone baritono, clarinetes e flauta
Mats Äleklint trombone
Øyvind Brække trombone
Torbjörn Zetterberg contrabaixo
Kjell Nordeson bateria
Everybody – Percussion

Pode ser que haja alguma “pose” na forma como o contrabaixista Torbjorn Zetterberg está na música, mas sem dúvida que este “Kvinnans Kamp” lhe corresponde por inteiro. Há muito que o jazz nórdico não tinha um carácter tão “dark” quanto o deste álbum – se as imagens incluídas no “digipack” parecem identificar o projecto Skidrar com um certo rock “maldito”, o conteúdo musical é jazz de primeira água, com a particularidade apenas de ser um pouco mais solto do que aquele que define habitualmente a produção do músico. Com ele está a nata de Estocolmo: Alberto Pinton, Jonas Kullhammar, Per “Texas” Johansson, Mats Aleklint e Kjell Nordeson, os músicos certos para se obter um “full blast”. Nota-se a influência composicional de Charles Mingus e algum sabor “retro”, mas impera a frescura das soluções e, sobretudo, a mestria de todos os envolvidos.

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Mathias Landaeus Goes a Long Long Way (Moserobie)

Mathias Landæus piano, piano preparado, cravo, piano eléctrico, melódica, orgão e electrónicas
Karl-Martin Almqvist saxofone tenor, clarinete e flauta
Filip Augustson contrabaixo
Sebastian Voegler bateria
Ola Bothzén percussão

Desconcertante obra esta é de Mathias Landaeus, a nível de sonoridades e estilos. Se uma tónica experimental é introduzida em determinada passagem, noutra mais adiante toma feições “crossover” ou adopta rítmicas e motivos mais populares. São vários os instrumentos utilizados pelo teclista: além do piano, com ou sem preparações à maneira de John Cage, ouvimos um piano eléctrico, um cravo, órgão de tubos e sintetizador. O balanço é geralmente “groovy”, o trabalho composicional é formatado no jazz da década de 1960 – e não só: passam por aqui ambiências próprias do “art rock” –, embora sem propósitos nostálgicos, e a arte pianística é devedora do Keith Jarrett dos primeiros anos de trabalho a solo. Destaque natural, ainda, para o saxofonista tenor e flautista Karl-Martin Almqvist e para as bases percussivas de Filip Auguston e Ola Bothezen.

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Alberto Pinton Quintet Vita Pratica (Moserobie)

Alberto Pinton saxofone baritono, clarinete e flauta
Mats Äleklint trombone
Mathias Ståhl vibrafone
Torbjörn Zetterberg contrabaixo
Kjell Nordeson bateria

Com os instrumentos de palheta menos vulgares, como o saxofone barítono, o clarinete contrabaixo e a flauta piccolo, entre outros, o italiano (de Veneza) Alberto Pinton, radicado em Estocolmo desde 1985 (com uma estadia de permeio em Boston, onde frequentou o Berklee College of Music, e em Nova Iorque), vem praticando um jazz aberto, por vezes mesmo audacioso, mas em linha com a tradição. Em “Vita Pratica”, procede a uma releitura europeia do free jazz americano original, suportado por uma formação em que se evidenciam o trombone de Mats Aleklint e o vibrafone de Mattias Stahl. Ao longo das faixas, não raras vezes somos convidados a lembrar um Roswell Rudd, um Grachan Moncur III, um Bobby Hurtcherson ou um Karl Berger, sem que em nenhum momento se procure copiar os mestres. As improvisações do líder são sempre surpreendentes, sobretudo ao barítono, e as suas composições muito mais do que um simples esqueleto de sustentação ou um conjunto de deixas.

 

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