Concerto NOTAS SOLTAS

26 Março

19h30

Notas Soltas

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Paulo Pereira saxofone soprano

Pedro Marques darabuka

entrada 3 euros

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Concerto TRIO

Concerto

Sábado
22 Março 18h

TRIO

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Abdul Moimême saxofone tenor, clarinete
Miguel Mira guitarra baixo acústica
Pedro Roxo contrabaixo

Entrada 3 euros

Novidades

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Peter Brotzmann Chicago Tentet At Molde 2007

Joe McPhee trompete, saxofone alto
Johannes Baur trombone
Per Ake Holmlander
tuba

Peter Brötzmann saxofone ato, tenor, tarogato e clarinete
Mats Gustafsson saxofone baritono
Ken Vandermark saxofone tenor, baritono e clarinete

Fred Lonberg-Holm violoncelo
Kent Kessler contrabaixo
Michael Zerang bateria
Paal Nilssen-Love bateria

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Baker/Hunt/Sandstrom/Williams Extraodinary Popular Delusions

Jim Baker piano, sintetizador
Steve Hunt bateria
Brian Sandstrom contrabaixo, guitarra
Mars Williams saxofones

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Territory Band 6 with Fred Anderson Collide

Axel Doerner trompete
Per-Åke Holmlander tuba
Fredrik Ljungkvist saxofone tenor e baritono
Fred Anderson
saxofone tenor
Dave Rempis
saxofone alto e tenor
Ken Vandermark
saxofone tenor e clarinete

Fred Longberg-Holm violoncelo
David Stackenäs guitarra

Lasse Marhaug electrónicas
Jim Baker
piano
Kent Kessler
contrabaixo
Paul Lytton
bateria
Paal Nilssen-Love
bateria

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Engines

Jeb Bishop trombone
Dave Rempis saxofone alto, tenor e baritono
Nate McBride contrabaixo
Tim Daisy bateria

Concerto Luís Lopes Trio

Luís Lopes Trio

12Março

19h30

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Luís Lopes guitarra

Alípio C Neto saxofones

Gabriel Ferrandini bateria

Concerto do trio LACK na trem azul jazz store

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Os Lack são um trio formado pelos improvisadores noruegueses, Havard Volden (guitarra), Lars Myrvoll (electrónicas) e Martin Taxt (tuba).
As sonoridades do trio percorrem caminhos acústicos que se mesclam com electrónicas, para depois as voltarem a separar….
Depois de ter assistido a um concerto em Oslo, um jornalista noruegues escreveu sobre eles o seguinte: a música dos Lack fez-me lembrar uma versão acústica dos Napalm Death.Os músicos que integram os Lack colaboram com: Tetuzi Akiyama, Axel Dorner, Gerry Hemingway,
Toshi Nakamura, Ole Henrik Moe, Dave Douglas entre muitos outros.

LACK
Håvard Volden
guitarra e electrónicas
Lars Myrvoll electrónicas
Martin Taxt tuba amplificada

Entrada 3 euros

Exposição de Peter Bastiaan

Exposição de Peter Bastiaan

6 Março a 7 de Abril

SEMEM

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Peter Bastiaan nasceu em Stockholm 1947.
Naturalizado holandês, músico durante os anos 70 e 80, chegou a Portugal em 1990 e começou a trabalhar no campo, plantando árvores, fazendo recuperação ambiental e paisagística. Desde 2003 vive em Lisboa, planta, toca, pinta e escreve.

 

Novidades da Moserobie

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Ludvig Berghe Trio Vol. IV – 48 and Counting (Moserobie)

Ludvig Berghe piano
Lars Ekman contrabaixo
Daniel Fredriksson bateria

O jazz que nos chega dos países escandinavos não pára de nos surpreender. Quando pensávamos já conhecer tudo do melhor que se faz no Norte da Europa, graças aos catálogos de etiquetas como a Moserobie, eis que novos coelhos saem da cartola. Ludvig Berghe é mais um excelente pianista da
cena sueca, e este “48 and Counting” tem a particularidade de ser um pouco mais “out” (ainda que sem sair do formato “mainstream” do trio de piano jazz) do que o anterior “Unplayed Venue” – e isso apesar de os dois discos terem sido gravados nas mesmas sessões de estúdio. Os temas têm um fôlego maior e são mais geométricos, embora nunca perdendo o “drive” enraízado no bop que caracteriza este músico de 38 anos.

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Torbjorn Zetterberg Skildrar Kvinnans Kamp (Moserobie)

Joakim Rolandson saxofone alto e soprano
Jonas Kullhammar saxofone tenor
Per Texas Johansson saxofone tenor e clarinete
Alberto Pinton saxofone baritono, clarinetes e flauta
Mats Äleklint trombone
Øyvind Brække trombone
Torbjörn Zetterberg contrabaixo
Kjell Nordeson bateria
Everybody – Percussion

Pode ser que haja alguma “pose” na forma como o contrabaixista Torbjorn Zetterberg está na música, mas sem dúvida que este “Kvinnans Kamp” lhe corresponde por inteiro. Há muito que o jazz nórdico não tinha um carácter tão “dark” quanto o deste álbum – se as imagens incluídas no “digipack” parecem identificar o projecto Skidrar com um certo rock “maldito”, o conteúdo musical é jazz de primeira água, com a particularidade apenas de ser um pouco mais solto do que aquele que define habitualmente a produção do músico. Com ele está a nata de Estocolmo: Alberto Pinton, Jonas Kullhammar, Per “Texas” Johansson, Mats Aleklint e Kjell Nordeson, os músicos certos para se obter um “full blast”. Nota-se a influência composicional de Charles Mingus e algum sabor “retro”, mas impera a frescura das soluções e, sobretudo, a mestria de todos os envolvidos.

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Mathias Landaeus Goes a Long Long Way (Moserobie)

Mathias Landæus piano, piano preparado, cravo, piano eléctrico, melódica, orgão e electrónicas
Karl-Martin Almqvist saxofone tenor, clarinete e flauta
Filip Augustson contrabaixo
Sebastian Voegler bateria
Ola Bothzén percussão

Desconcertante obra esta é de Mathias Landaeus, a nível de sonoridades e estilos. Se uma tónica experimental é introduzida em determinada passagem, noutra mais adiante toma feições “crossover” ou adopta rítmicas e motivos mais populares. São vários os instrumentos utilizados pelo teclista: além do piano, com ou sem preparações à maneira de John Cage, ouvimos um piano eléctrico, um cravo, órgão de tubos e sintetizador. O balanço é geralmente “groovy”, o trabalho composicional é formatado no jazz da década de 1960 – e não só: passam por aqui ambiências próprias do “art rock” –, embora sem propósitos nostálgicos, e a arte pianística é devedora do Keith Jarrett dos primeiros anos de trabalho a solo. Destaque natural, ainda, para o saxofonista tenor e flautista Karl-Martin Almqvist e para as bases percussivas de Filip Auguston e Ola Bothezen.

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Alberto Pinton Quintet Vita Pratica (Moserobie)

Alberto Pinton saxofone baritono, clarinete e flauta
Mats Äleklint trombone
Mathias Ståhl vibrafone
Torbjörn Zetterberg contrabaixo
Kjell Nordeson bateria

Com os instrumentos de palheta menos vulgares, como o saxofone barítono, o clarinete contrabaixo e a flauta piccolo, entre outros, o italiano (de Veneza) Alberto Pinton, radicado em Estocolmo desde 1985 (com uma estadia de permeio em Boston, onde frequentou o Berklee College of Music, e em Nova Iorque), vem praticando um jazz aberto, por vezes mesmo audacioso, mas em linha com a tradição. Em “Vita Pratica”, procede a uma releitura europeia do free jazz americano original, suportado por uma formação em que se evidenciam o trombone de Mats Aleklint e o vibrafone de Mattias Stahl. Ao longo das faixas, não raras vezes somos convidados a lembrar um Roswell Rudd, um Grachan Moncur III, um Bobby Hurtcherson ou um Karl Berger, sem que em nenhum momento se procure copiar os mestres. As improvisações do líder são sempre surpreendentes, sobretudo ao barítono, e as suas composições muito mais do que um simples esqueleto de sustentação ou um conjunto de deixas.

 

Spool na Trem Azul

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O catálogo da canadiana Spool já está disponível em Portugal. Com o nome inspirado numa passagem daquele que será o texto de Samuel Beckett mais estimado pelos musófilos, “Krapp’s Last Tape” (“Box . . . three . . . spool . . . five. ( he raises his head and stares front. With relish. ) Spool! ( pause. ) Spooool! ( happy smile. Pause. He bends over table, starts peering and poking at the boxes.”), a editora vem não só divulgando internacionalmente o jazz e a improvisação produzidos no Canadá, com especial incidência nas práticas mais avançadas da cena de Vancouver, como tem envolvido músicos de todo o mundo.

Apenas alguns exemplos:

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Mats Gustafsson / Kurt Newman / Mike Gennaro Port Huron Picnic (Spool) 

Mats Gustafsson saxofones soprano,  baritono e flauta

Kurt Newman guitarra eléctrica

Mike Gennaro bateria  

Encontro registado em Chicago no ano de 1999 entre o saxofonista sueco Mats Gustafsson e os membros do duo Wrist Error, Kurt Newman (guitarra) e Mike Gennaro (bateria, percussão), “Port Huron Picnic” é uma revisitação do particular universo de Derek Bailey, e muito em especial das suas parcerias com Evan Parker e com John Stevens. Sobre este disco, disse a revista “Cadence” na altura da sua edição que parece estarmos a ouvir “insectos a degladiarem-se sobre folhas de árvore caídas”, e é de facto isso o que nos sugere o trabalho textural realizado, mais preocupado com a matéria sonora propriamente dita do que com preocupações musicais, pelo menos se entendermos que a música implica sempre uma ideia de estrutura. Aliás, a única sugestão de forma aqui encontrável é a implicada pela sequencialidade dos eventos.

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John Shiurba Triplicate (Spool) 

Lara Bruckmann voz
Morgan Guberman voz
Matt Ingalls clarinete
Dan Plonsey saxofone alto, clarinete, oboe e violino
Tom Djill trompete
Tom Yoder trombone
Matthew Sperry contrabaixo
Gino Robair  percussão, marimba e sintetizador analógico
 

Algures entre o legado do “rock in opposition” de uns Henry Cow e a complexa escrita de Anthony Braxton, com “200 Motels” de Frank Zappa e a Mike Westbrook Orchestra pelo meio, “Triplicate” é uma quase ópera de homenagem a Matthew Sperry (o contrabaixista destas sessões que morreria antes da edição do CD), gravada em 2002. Com um percurso dividido entre a composição contemporânea (colaborou com a Merce Cunningham Dance Company), a improvisação livre ou com matriz no jazz (tocou com Braxton) e o art rock (integrou os grupos Eskimo e Molecules), o guitarrista John Shiurba é uma das figuras mais interessantes surgidas na West Coast norte-americana – com a característica de, aos seus evidentes dotes como compositor e líder, acrescentar os de um instrumentista de vocação exploratória. Destacam-se os cantores Lara Bruckmann e Morgan Guberman, este por vezes lembrando-nos Phil Minton.

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Henry Kaiser & Paul Plimley w/ Danielle DeGruttola Passwords (Spool) 

Henry Kaiser guitarra baixo e guitarra

Paul Plimley piano
Danielle DeGruttola violoncelo

Algo a que o guitarrista Henry Kaiser nos habituou foi a nunca adivinharmos o que um disco com o seu nome contém, a não ser a certeza de que será uma abordagem muito pessoal. Com um estilo que vai beber às mais diversas fontes, dos blues do Delta à música erudita do século XX, passando por um anorme fascínio pelas tradições asiáticas, pelo free jazz e pelo rock (é um apaixonado fã dos Grateful Dead), o californiano teve um percurso igualmente multifacetado, com parceiros tão distintos quanto Herbie Hancock, Terry Riley, Negativland, Cecil Taylor, Diamanda Galas ou Ryuichi Sakamoto. Ao verificarmos, porém, que neste “Passwords” tem a companhia de Paul Plimley, a suspeita é a de que se entregarão a um jazz sofisticado e com dimensões camerísticas. Ouvido o CD, de facto assim é: senhor de um estilo pianístico intimista e elaborado, à vontade também em situações mais rítmicas e ineditamente associando uma vertente lírica a outra geométrica, Plimley tem aqui oportunidade de brilhar. A tónica de câmara é amplificada pela associação da violoncelista Danielle DeGruttola.

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Fred Frith / Anne Bourne / John Oswald Dearness (Spool) 

Fred Frith guitarra e voz

Anne Bourne violoncelo e voz

John Oswald saxofone, voz 

Longe, muito longe, das suas origens rock, o Fred Frith que encontramos em “Dearness” é simultaneamente aquele que se tem revelado (a gravação ao vivo data de 1998) como compositor de recorte “clássico” e aquele que vingou como improvisador no sentido europeu do termo. Poucas vezes o músico britânico radicado na Califórnia associou essas duas vertentes no mesmo disco, e daí o especial interesse deste trabalho. A seu lado tem o antigo mestre dos “plunderphonics” John Oswald, entretanto convertido ao saxofone alto e à improvisação, e uma das mais aventurosas violoncelistas do outro lado do Atlântico, Anne Bourne. Nota curiosa: todos eles utilizam também a voz. Com um carácter de”soundscape” nada comum tanto no domínio da “new music” como no da chamada música não-idiomática, as atmosferas criadas mantêm ao longo das faixas uma aura de mistério e irresolução que torna intrigante, interrogativa mesmo, a sua audição.

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Fred Frith / Joelle Léandre / Jonathan Segel Tempted to Smile (Spool) 

Fred Frith guitarra

Joelle Léandre contrabaixo

Jonathan Segel violino e guitarra 

Já lá vai o tempo em que se considerava que os cordofones não tinham lugar na improvisação. Em“Tempted to Smile”, temos um curioso trio de cordas, com o guitarrista Fred Frith a fazer-se acompanhar pelo contrabaixo de Joelle Léandre e pelo violino de Jonathan Segel, este surgindo numa segunda guitarra em uma das peças. Se os fundamentalistas da chamada “nova música improvisada” apontavam como factor negativo a “doçura” inerente a este tipo de instrumentação, o presente álbum comprova que com o dito também se pode fazer uma música ácida e rude – a grande aspiração estética de uma prática musical que começou por arvorar o nome de uma abordagem técnica. Abstracto, orgânico e sempre em movimento, está patente neste registo que os intervenientes envolvidos vêm de outras músicas que não do jazz, entendido este geralmente como a matriz desta tendência (Frith e Segel passaram pelo art rock, Léandre é uma celebrada intérprete de música erudita contemporânea), mas nunca tal factor surge de modo referencial. Esse “background” é o suficiente, no entanto, para se perceber que há por aqui algum idiomatismo. Não podia ser de outro modo, apesar de Derek Bailey, o inventor da designação “música não-idiomática”, nunca o ter admitido, mesmo depois de tocar “standards” e baladas e de ter colaborado com músicos do rock e do drum ‘n’ bass.

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The Skronktet West EL (Spool) 

Morgan Guberman contrabaixo

Matt Ingalls clarinete

Gino Robair percussão
Scott Rosenbeg saxofones

John Shiurba guitarra  

O nome de Scott Rosenberg vem emergindo como um dos novos valores do jazz da frente americano que recupera a importância da composição, dos arranjos e da direcção de grupo. Tem-no feito com pequenos formatos instrumentais e com “big bands”, e para o que ele é hoje contribuiu sem dúvida este “EL”, gravado em 2001 com o Skronktet West, um quinteto “extensivo” que inclui figuras tornadas fundamentais na cena actual, como John Shiurba, Gino Robair, Matt Ingalls e Morgan Guberman. Pode ser que o seu estilo deva mais ao orquestralismo de câmara e sinfónico contemporâneo do que a Ellington, a Mingus e a Evans, mas o certo é que devolveu à vanguarda do jazz algo que o free lhe tinha retirado: estrutura. São muitos os espaços deixados à improvisação e ao critério dos intérpretes, mas o peso da escrita é óbvio nestes temas. Reflecte-se tal, neste disco, em termos de coordenação colectiva, de entrosamento e de rigor. Decididamente, o futuro do jazz “made in USA” está a ser decidido na Bay Area, e provavelmente até mais do que em Nova Iorque e em Chicago, não obstante os ouvidos estarem todos virados para essas metrópoles.

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Gordon Grdina’s Box Cutter Unlearn (Spool) 

Gordon Grdina guitarra

Francois Houle clarinete

Karlis Silins contrabaixo

Kenton Loewen bateria 

“Unlearn”, dos Box Cutter de Gordon Grdina, é um dos títulos mais “jazzy” de todo o catálogo da Spool. Guitarrista de Vancouver que por ocasiões também toca o oud (alaúde árabe), este antigo pupilo de Gary Peacock movimenta-se na linha de separação (ou de encontro, conforme a perspectiva de quem o ouve) entre o “mainstream” e a vanguarda, não raras vezes colocando um pé fora do jazz, e não apenas para se dedicar à sua paixão pela música clássica do Norte de África e do Médio Oriente – um dos seus investimentos de fundo vai para o quarteto de cordas East Van Strings, inspirado em Bela Bartok e Alban Berg, além do taqasim islâmico. A seu lado neste álbum estão o ilustre François Houle, por vezes tocando em dois clarinetes simultaneamente, e uma poderosa secção rítmica formada por Karlis Silins (contrabaixo) e Kenton Loewen (bateria). Ora “groovy” e melódica, ora espraiando-se por “free forms”, a intensidade da música que aqui se ouve dá bem conta do entusiasmo que move o quarteto.

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François Carrier / Dewey Redman / Michel Donato / Ron Séguin / Michel Lambert Open Spaces (Spool) 

François Carrier saxofone alto

Dewey Redman saxofone tenor

Michel Donato contrabaixo

Ron Séguin contrabaixo

Michel Lambert bateria  

Para o canadiano François Carrier, “Open Space” significa um regresso às bases dos conceitos improvisacionais que perfilha, isto é, à grelha do free jazz. A inclusão de uma lenda da “new thing” no grupo que neste disco se apresenta, Dewey Redman, foi a oportunidade encontrada, resultando num trabalho que tem todo o sabor dos anos do boom daquele subgénero (décadas de 1960 e 70), mas nada de nostálgico ou retro. O encontro (histórico) ocorreu nos finais de 1999 e tem, sem dúvida, aquilo que Carrier mais procura na música, a “atmosfera emocional” própria de uma abordagem que valoriza a espontaneidade acima de tudo. Fez o mesmo com Paul Bley, Gary Peacock, Bobo Stenson, Mat Maneri, Jason Moran e Uri Caine, mas esta parceria com Redman ganhou peso simbólico. Até pelo facto de o célebre saxofonista tenor ter deixado o mundo dos vivos pouco depois. A seu lado, o líder destas sessões dá conta com particular felicidade dos seus dotes no manejo do saxofone alto, nunca desmerecendo de tão nobre companhia.  

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Paul Rutherford / Ken Vandermark / Torsten Muller / Dylan van der Schyff Hoxha (Spool) 

Paul Rutherford trombone

Ken Vandermark saxofone tenor e clarinete

Torsten Muller contrabaixo

Dylan van der Schyff bateria  

O muito injustiçado trombonista Paul Rutherford morreu faz pouco, e se é verdade que só se dá a devida atenção a um pioneiro (foi-o da improvisação livre e do uso de técnicas extensivas – incluindo as que agora são imputadas a Albert Mangelsdorff – na Europa) após a sua partida, este documento de um encontro “ad-hoc” com Ken Vandermark, Torsten Muller e Dylan van der Schyff dá bom testemunho da versatilidade que o caracterizava. O envólucro dos procedimentos tem as cores do jazz, indo beber directamente às tradições do free (Rutherford chega a lembrar-nos o Roswell Rudd dos anos quentes, quando tocava com Steve Lacy, John Tchicai e Archie Shepp) e do hard bop (oiçam o saxofone tenor de Vandermark), sempre com a agitada propulsão da secção rítmica de Vancouver. E isto apesar de, por exemplo, a bateria de van der Schyff ter maiores afinidades com o que se faz deste lado do Atlântico nos domínios da livre-improvisação do que com o jazz do Novo Mundo.

 

 

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