Concerto RIOT Trio

Concerto

28 Fev 19h30

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Riot trio é uma formação pouco usual, que se movimenta na área da improvisação, explorando linguagens jazzísticas, minimais, texturais e noise. O Trio consome a energia a sua volta, criando assim uma música cheia de força e intensidade. A secção rítmica impulsiona o caos eletrónico para um mundo abstracto e violento mas sem deixar de lado um universo mais calmo e harmonioso.

Pedro Lopes electrónicas, gira discos
Diogo Palma contrabaixo, baixo eléctrico
Gabriel Ferrandini bateria

Entrada 3 euros

Reedições Lone Hill Jazz – Essential Jazz Classics – Jazz Collectors & Jazz Tracks

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Novidades Moserobie

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Novidades

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Chris Potter Song For Anyone 

Chris Potter saxofone tenor e soprano
Erica Von Kleist flauta
Greg Tardy clarinete
Michael Rabinowitz  fagote
Mark Feldman violino
Lois Martin viola
David Eggar violoncelo
Steve Cardenas guitarra
Scott Colley contrabaixo
Adam Cruz bateria

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Chris Potter Follow The Red Line 

Chris Potter saxofone tenor
Craig Taborn fender rhodes
Adam Rogers guitarra
Nate Smith bateria

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Pat Metheny Day Trip 

Pat Metheny guitarra
Christian McBride contrabaixo
Antonio Sanchez bateria

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Trio of Doom 

John McLaughlin guitarra
Jaco Pastorius baixo
Tony Williams bateria

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Bill Dixon with Exploding Star Orchestra

Bill Dixon trompete, composição
Rob Mazurek corneta, composição
Nicole Mitchell flauta, voz
Matt Bauder clarinete baixo, saxofone tenor
Jeb Bishop trombone
Josh Berman corneta
Jeff Parker guitarra
Jim Baker piano
Jason Adasiewicz vibrafone
Matthew Lux guitarra baixo
Jason Ajemian contrabaixo
Mike Reed bateria
John Herndon bateria
Damon Locks voz

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Noah Howard The Black Ark

Noah Howard saxofone alto
Arthur Doyle saxofone tenor
Earl Cross trompete
Leslie Waldron piano
Norris Jones contrabaixo
Mohammed Ali bateria
Juma congas  

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David Murray Sacred Ground

David Murray saxofone tenor, clarinete baixo
Cassandra Wilson voz
Lafayette Gilchrist piano
Ray Drummond contrabaixo
Andrew Cyrille bateria

Próximo Concerto Dia 14 Fev 19h30

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Quinta-feira 14 Fev

19h30

Eduardo Lála trombone
Gil Gonçalves tuba
João Castro Pinto processamento electroacústico / electrónica
Nuno Moita turntable

André Mota bateria percussão

O que começou por ser um quarteto, que teve a sua estreia no Sources#1, festival organizado em Julho de 2007 pela Creative Sources Recordings de Ernesto Rodrigues, assume por agora a forma de quinteto com a inclusão do percussionista André Mota. Num ambiente de improvisação entre os instrumentistas e o processamento electroacústico por computador, contraposto pela desconstrução sonora do vynil, e acompanhado pelas cadências rítmicas percutivas, o concerto destes músicos irá explorará ambiências que serão de contorno distinto: apresentar-se-ão paisagens sonoras hipnóticas drone, como diálogos sonoros residuais e pontilísticos, advenientes dos instrumentos e do processamento electroacústico.
Em termos de estrutura poderão existir várias combinações, como: pequenos solos, duos, trios,
quartetos e quintetos, numa procura constante de recriação das combinações musicais possíveis entre os distintos elementos que compõem a formação do quinteto. A forma da composição não é pré-determinada, trata-se da exploração intencional da criação improvisada de contextos e situações musicais que sejam inusitados e passíveis de proporcionar momentos de apercepção psicoacústica intensa de cariz fusional.

entrada 3 euros

LIVING THING 6TETO

Quinta 7 Fev 19h30

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De rápidas e intrincadas linhas de sopros a translúcidas texturas pianísticas, do intenso groove colectivo ao improvável diálogo entre estranhos pássaros, da ordem á desordem, disto e muito mais é feita a música dos *Living Thing*, colectivo que reunindo diferentes gerações de improvisadores, tem trabalhado ao longo do último ano na busca dos traços próprios que fazem do ensemble uma das melhores surpresas dos últimos tempos. Partindo das composições de José Menezes, Pedro Viana e Gonçalo Marques e tirando partido das suas múltiplas opções timbrícas, este sexteto é indiscutívelmente marcado, tanto quanto pela composição, pela vibração dos solos que, contrastantes entre si, se complementam numa teia de múltiplas cores e texturas.

Gonçalo Marques trompete e flugel
Daniel Vieira saxofone alto e clarinete
José Menezes saxofones, clarinete-baixo
Júlio Resende piano Fender-Rhodes
João Custódio contrabaixo
Pedro Viana bateria

entrada 3 euros

EXPOSIÇÃO FOTOGRAFIA José Manuel Fragoso – Séries

19 Fotografias a preto e branco em papel baritado feitas entre 2002 e 2004. De cada negativo correspondente às cópias apresentadas far-se-ão quatro cópias no máximo.

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(…) Só por comodidade de juízo se poderia tentar interpretar estas séries enquanto performance. Antes, há aqui em cada imagem uma constante afirmação dos signos e da sua autonomia, em que os valores estruturantes das imagens parecem balancear entre um registo mais convencional e uma lógica muito abstracta, quase musical, que impele serenamente o significado para um outro lugar. Consciência, comando e acção, transmutação e fuga e sobretudo o silêncio parecem ser as principais figuras que propulsionam estas imagens. Não o silêncio do ser de onde brota o lirismo mas um outro – o silêncio da espera de quem escuta um receptor rádio e que sabe que o sinal lá está. (…) São imagens construídas em cenários inúteis e derruídos que o corpo habita humildemente, corpo que apenas parece dizer “eu estive aqui”, “eu fui apenas isto, vejam quão dinâmico e puro é este movimento…”.
André Falcão, Lisboa, 2003

Elliott Sharp – New York Blues

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Elliott Sharp        New York blues

Entrevista feita por Nuno Loureiro

Elliott Sharp é um dos nomes que se têm constituído como símbolos do avant-garde em Nova Iorque, mas a sua relação com a cidade mudou, porque – diz – esta “já não é a mesma”. O multifacetado artista sonoro fala sobre este assunto, assim como sobre o seu trabalho, deixando algumas reflexões sobre origem e identidade. 

Nuno Loureiro – Comecemos pelo presente. Em que é que tem estado a trabalhar? 

Elliott Sharp – Estou a compor uma peça de 45 minutos, intitulada “Polymerae”, para o Ensemble Moderne de Frankfurt, que irá estrear em Abril pela companhia de dança de Jacopo Godoni. Também já completei uma peça intitulada “Sidebands”, que é dedicada a Karlheinz Stockhausen e que vou apresentar no Fylkingen Festival, em Estocolmo. Isto para além de ter gravado um trabalho de cordas com o Sirius Quartet e duetos de improvisação com Frances-Marie Uitti, Josef von Wissem, Scott Fields e Saadet Turkoz. 

NL – Ao longo da sua carreira tem desenvolvido uma relação de proximidade entre instrumentação “convencional” e electrónica. Contudo, no projecto ““Sharp? Monk? Sharp! Monk!” optou por usar apenas uma guitarra. Foi essa uma opção conceptual, ou sentiu apenas que essa era melhor maneira de interpretar Thelonious Monk?  

ES – É usual eu tocar guitarra acústica em casa e a música de Monk é algo que eu gosto de tocar. Pareceu-me normal gravar o trabalho dessa forma. Tenho executado algumas gravações totalmente acústicas nos últimos anos e gosto bastante do som. 

NL – Depois do som mais “clássico” de projectos anteriores, em “Hums 2 Terre” voltou a territórios mais experimentais. Isso foi de alguma forma intencional, ou apenas parte de um processo natural? 

ES – Penso que nunca deixei nenhuma das áreas onde costumo trabalhar. Peças para orquestra, trabalhos “experimentais”, improvisação, blues, composições para filmes, electrónica e música computorizada – são todos caminhos paralelos. 

NL – Estudou várias e variadas disciplinas académicas, como por exemplo Etnomusicologia. Qual é a importância desse percurso e como é que ele se reflecte na sua produção musical? Na mesma linha de raciocínio, de que forma é que a física se reflecte no seu trabalho? 

ES – Tudo o que eu leio ou estudo acaba por fazer parte do processo! Gosto realmente da forma como os matemáticos e os físicos estabelecem a relação entre realidade e abstracção – é muito próxima da forma como eu componho e eu gosto de pensar que os meus processos musicais se operam da mesma forma. 

NL – Esta é provavelmente uma pergunta algo limitativa, mas – apesar de todas as suas outras influências – consideraria que os blues e o jazz são uma espécie de “esqueleto” do seu trabalho musical?

ES – Não sei se colocaria a questão dessa forma. Eu cresci a ouvir e a tocar blues e jazz – são tão elementos da minha vida como falar Inglês ou beber café. 

NL – Quais eram os seus músicos favoritos, na altura? 

ES – O primeiro disco de jazz que realmente “ouvi” foi “Live at The Village Vanguard”, de John Coltrane. Ouvi-o devido ao anúncio da sua morte no “NY Times”, no dia em que faleceu, o que despertou a minha curiosidade. Um amigo do meu pai tinha o disco e pô-lo a tocar – fiquei extasiado! O disco seguinte foi “Oh Yeah”, do Mingus, editado pela Atlantic – fantástico!Fiquei muito entusiasmado com o jazz tentava ouvir tudo o que conseguia arranjar, pesquisando em pilhas de discos em promoção (não tinha dinheiro!) e bibliotecas. Quando – no Verão de 1968 e enquanto ainda andava no liceu – me tornei DJ na rádio da Universidade WRCT de Carnegie-Mellon, tive acesso aos discos da ESP, assim como muitos trabalhos do Ornette, Ayler, Cecil Taylor, Pharoah Sanders, Sun Ra.A minha exposição aos blues começou com os The Yarbirds e os The Stones, e depressa comecei a ouvir Howlin’ Wolf com Hubert Sumlin, Muddy Waters, Lightnin’ Hopkins, Skip James, Robert Johnson, Sonny Boy Williamson, Big Joe Williams, Blind Willie Johnson, Otis Rush, Albert Collins, B.B. King, Albert King, Freddie King. 

NL – Quando é que se começou a interessar por sons mais experimentais? 

ES – Assim que comecei a pesquisar sobre música, interessei-me pelas margens. Quando era novo era um fã de ficção científica e adorava as bandas sonoras desses filmes (e ainda adoro): a composição de Bernard Herrman para “The Day The Earth Stood Still” e “Mysterious Island”, bem como a maravilhosa banda sonora electrónica de “Forbidden Planet”, composta por Bebe e Louis Barron, que ouvi pela primeira vez por volta de 1963.O acesso que tive à audioteca na WRTC permitiu-me investigar com profundidade diversos compositores, como Cage, Stockhausen, Xenakis, Partch, Ligeti (nesse Verão vi o “2001: A Space Odyssey”, com a incrível música de Ligeti), entre outros   

NL – Apesar de ser um multi-instrumentista, há algum instrumento que seja especial para si, no que diz respeito ao uso e ao som produzido?

ES – Sinto-me à vontade sobretudo com guitarras, mas sempre que tenho tempo para praticar adoro realmente tocar saxofone e clarinete. 

NL – Quando toca ao vivo, prefere interpretar peças “preparadas” ou antes improvisar, deixando-se levar pelo momento? 

ES – Eu gosto de todas essas opções – depende apenas da situação. 

NL – Não posso deixar de ter em mente a sua contribuição para o disco “Alphabet City” (editado na colecção United Series da editora Sub Rosa). De que forma se sente inspirado pelas cidades, no geral, e por Nova Iorque, em particular? 

ES – Nova Iorque era (e uso propositadamente o pretérito perfeito) um local muito inspirador para o trabalho criativo. Ainda adoro morar aqui, mas já não é a mesma coisa. Agora tem sobretudo a ver com marketing e consumo, não com viver uma fantasia criativa e a sua manifestação através da arte.   

NL – No seu diário online, mencionou o facto de ter tocado em Portugal apenas algumas depois do 11 de Setembro. Estava em Nova Iorque nesse dia? Quais são as suas principais memórias? 

ES – Tinha chegado de Varsóvia no dia anterior. Os meus principais pensamentos foram de raiva para com as pessoas responsáveis por aquele horror. NÃO os que pilotaram os aviões, mas o governo de George Bush e os seus comparsas da oligarquia empresarial. Apesar de não terem ordenado o ataque, as suas políticas criaram as condições para que ele acontecesse. Há muito a dizer sobre isto! 

NL – Após todos estes anos, qual é a sua visão sobre o que mudou na cidade, dos pontos de vista social e artístico? 

ES – A cidade está controlada por verdadeiras forças estatais. O seu carácter mudou e não há muito a fazer em termos de a manter com vitalidade enquanto local criativo. As cidades mudam e as forças criativas mudam-se para outros locais.

NL – Falando de Nova Iorque, sente-se de alguma forma próximo da Cultural Radical Judaica, promovida por John Zorn? 

ES – Não, de todo. A “cultura judaica” foi quase sempre radical, mas este movimento é particularmente sionista e reaccionário. Eu apresentei a minha peça “Intifada” no primeiro festival da Cultura Radical Judaica, na Knitting Factory, em Nova Iorque, e fui assobiado e insultado quando apresentei o preâmbulo ao concerto, onde afirmei que o judaísmo – seja cultural ou religioso – não é necessariamente o mesmo que sionismo e que, enquanto filho de um sobrevivente do Holocausto, considerava vergonhosa e aberrante a opressão israelita sobre os legítimos habitantes do território conhecido como Palestina.Eu não gosto mesmo nada de religião e nacionalismo – são a fonte de muito sofrimento humano! 

NL – Artistas como o próprio Zorn ou Z’ev inspiraram alguns dos seus trabalhos na sua herança judaica. Já houve alguma ocasião em que tenha empreendido uma abordagem semelhante? 

ES – Assim como todo o meu trabalho é baseado nos meus estudos nas áreas da ciência e da acústica, é igualmente baseado na minha herança judaica. Simplesmente não a uso na manga!

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