Novidades Clean Feed

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Tony Malaby Tamarindo (Clean Feed)

Tony Malaby saxofone tenor e soprano

William Parker contrabaixo

Nasheet Waits bateria

“Ele é som, ele é tempo, ele é gesto”, escreve o contrabaixista Mark Helias sobre Tony Malaby nas “liner notes” de “Tamarindo”. E tem toda a razão: a fama de Malaby como um dos mais completos saxofonistas tenor da actualidade cresce em cada dia que passa, e ao mesmo tempo o seu “low profile” e a sua absoluta dedicação à música estão a tornar-se numa lenda. Sem fazer qualquer alarido com isso, tornou-se mesmo num dos mais deslumbrantes músicos da cena de Nova Iorque. Não é difícil compreender porquê: contrariamente a muitos saxofonistas, não é uma viagem pelo seu próprio ego que está a fazer. Malaby não usa muitos sons para dizer o que tem a dizer, nunca grita para ser ouvido e faz questão de sair do caminho dos outros músicos. Este comportamento diz muito da sua personalidade, mas ele prefere culpar o Tai Chi pelo seu temperamento agradável. Se a antiga arte marcial chinesa influenciou a forma como toca, o seu espírito está fortemente enraízado na história do jazz. O que não significa que esteja demasiado preso a esta – para si, a tradição é o alimento do trabalho criativo, e nada mais do que isso. William Parker e Nasheet Waits são os seus companheiros neste belo disco, dois músicos que qualquer um gostaria de ter na sua secção rítmica, ambos bem cientes do passado, mas inventores do futuro.

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Stephen Gauci’s Basso Continuo Nididhyasana (Clean Feed)

Stephen Gauci saxofone tenor

Nate Wooley trompete

Mike Bisio contrabaixo

Ingebrigt Haaker Flaten contrabaixo

O nome deste projecto de Stephen Gauci, Basso Continuo, faz-nos pensar na música antiga e barroca, mas não é isso o que tocam os quatro músicos aqui reunidos. Depressa verificamos porque foi baptizado o grupo deste modo: são dois os contrabaixistas em acção ao longo de todas as faixas, Mike Bisio e Ingrebrigt Haaker Flaten, e ambos providenciam uma sólida espinha dorsal a tudo o que acontece. Seja para que lado for que viremos a nossa atenção, eles estão lá, à nossa espera. Entretanto, reparamos que o título do álbum, e todos os títulos das peças incluídas, têm referências indianas, lembrando-nos o último período, o mais espiritual, de John Coltrane. Ficamos imediatamente a perceber o que está em jogo: Gauci toca saxofone tenor, e não há nenhum saxofonista tenor no mundo que não esteja em dívida para com o grande mestre desse instrumento. Ouvimos “Nididhyasana” e sentimos inevitavelmente que se trata de algum tipo de tributo a Trane. Se de facto assim é, o líder deste quarteto não o diz – é uma questão pessoal. Stephan Gauci, antigo pupilo de dois consagrados do “mainstream”, Joe Lovano e George Garzone, gosta de tocar com outro sopro ao seu lado, e no presente CD esse lugar é ocupado por Nate Wooley, um dos mais audaciosos trompetistas da improvisação dos nossos dias. Uma combinação fantástica e inesperada, além de uma óptima indicação do conteúdo aqui encerrado…

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Steve Lehman Manifold (Clean Feed)

Steve Lehman saxofone alto e sopranino

Jonathan Finlayson trompete

John Hebert contrabaixo

Nasheet Waits bateria

Antigo aluno de Jackie McLean e Anthony Braxton, dois estilistas nas diferentes áreas do jazz em que se afirmaram, o saxofonista nova-iorquino Steve Lehman tem como principal característica o facto de conciliar na sua música aspectos que, à partida, diríamos serem opostos. Segue os primados da chamada “improvisação aberta” herdeira do free jazz, com as suas vertentes de espontaneidade e decisão em tempo real, mas procura estruturá-la de forma particularmente rigorosa, não só em termos formais como de precisão técnica. Gravado na primeira parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra de 2007 e terceiro tomo da JACC Series na “label” Clean Feed, “Manifold” é um claro exemplo desse trabalho de síntese entre contrários. Não está, no entanto, no propósito de Lehman incorrer no tipo de hibridismos que definem a pós-modernidade na música. Com clara fundamentação na estética bop, e apesar das liberdades tomadas (mesmo “For Evan Parker”, em solo de sopranino, não se pode dizer que seja “parkeriano”, apesar de incorporar os multifónicos típicos do músico  britânico), há a preocupação de nos dar a ouvir a “real thing”. É nesse contexto, aliás, que surge o tema “Dusk”, de Andrew Hill, um sentido tributo ao pianista e compositor falecido este ano por um quarteto cuja secção rítmica trabalhou com o homenageado – os excelentes John Hebert no contrabaixo e Nasheet Waits na bateria. Atenção, ainda, a Jonathan Finlayson, jovem trompetista que carrega consigo toda a história do seu instrumento no jazz e pratica os dizeres estampados na “t-shirt” que Lehman vestia em Coimbra: “Develop, don’t destroy.” Um disco exemplar…

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MI3 Free Advice (Clean Feed) 

Pandelis karayorgis piano

Nate McBride contrabaixo

Curt Newton bateria

Não terão muita sorte se pesquisarem na Net pelo grupo MI3. Websites sobre a terceira sequela do filme “Missão Impossível”, com a “megastar” Tom Cruise, abrir-se-ão no vosso monitor com uma insistência enervante. O curioso é que os três músicos que tocam em “Free Advice”, Pangelis Karayorgis, Nate McBride e Curt Newton, estão também envolvidos numa missão que, se não impossível, é pelo menos bem espinhosa: dar continuidade a um padrão do jazz, o trio de piano, que parece ter percorrido todo o seu caminho. E a verdade é que o seu esforço se coroa de êxito, mesmo que sem as ginásticas que vemos Cruise fazer no grande ecrã. Este disco não é apenas mais um opus com piano, contrabaixo e bateria, e sim algo que certamente ouvirão repetidas vezes e colocarão na prateleira dos vossos álbuns preferidos. A anterior edição dos MI3 no catálogo Clean Feed, “We Will Make a Home for You”, não vos prepara para o que encontrarão aqui. Em vez do Fender Rhodes e das tentativas de recuperação desse instrumento “vintage” no contexto do século XXI, Karayorgis toca agora um Grand Piano com máximo efeito. O CD contém tambémalguns velhos temas com novas roupagens, como é o caso de “The Mystery Song”, de Duke Ellington, revisto segundo a interpretação dessa mesma peça que Steve Lacy colocou em “Evidence”. Uma maravilha!

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