Bom Natal e Feliz Ano 2008

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Novidades Clean Feed

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Tony Malaby Tamarindo (Clean Feed)

Tony Malaby saxofone tenor e soprano

William Parker contrabaixo

Nasheet Waits bateria

“Ele é som, ele é tempo, ele é gesto”, escreve o contrabaixista Mark Helias sobre Tony Malaby nas “liner notes” de “Tamarindo”. E tem toda a razão: a fama de Malaby como um dos mais completos saxofonistas tenor da actualidade cresce em cada dia que passa, e ao mesmo tempo o seu “low profile” e a sua absoluta dedicação à música estão a tornar-se numa lenda. Sem fazer qualquer alarido com isso, tornou-se mesmo num dos mais deslumbrantes músicos da cena de Nova Iorque. Não é difícil compreender porquê: contrariamente a muitos saxofonistas, não é uma viagem pelo seu próprio ego que está a fazer. Malaby não usa muitos sons para dizer o que tem a dizer, nunca grita para ser ouvido e faz questão de sair do caminho dos outros músicos. Este comportamento diz muito da sua personalidade, mas ele prefere culpar o Tai Chi pelo seu temperamento agradável. Se a antiga arte marcial chinesa influenciou a forma como toca, o seu espírito está fortemente enraízado na história do jazz. O que não significa que esteja demasiado preso a esta – para si, a tradição é o alimento do trabalho criativo, e nada mais do que isso. William Parker e Nasheet Waits são os seus companheiros neste belo disco, dois músicos que qualquer um gostaria de ter na sua secção rítmica, ambos bem cientes do passado, mas inventores do futuro.

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Stephen Gauci’s Basso Continuo Nididhyasana (Clean Feed)

Stephen Gauci saxofone tenor

Nate Wooley trompete

Mike Bisio contrabaixo

Ingebrigt Haaker Flaten contrabaixo

O nome deste projecto de Stephen Gauci, Basso Continuo, faz-nos pensar na música antiga e barroca, mas não é isso o que tocam os quatro músicos aqui reunidos. Depressa verificamos porque foi baptizado o grupo deste modo: são dois os contrabaixistas em acção ao longo de todas as faixas, Mike Bisio e Ingrebrigt Haaker Flaten, e ambos providenciam uma sólida espinha dorsal a tudo o que acontece. Seja para que lado for que viremos a nossa atenção, eles estão lá, à nossa espera. Entretanto, reparamos que o título do álbum, e todos os títulos das peças incluídas, têm referências indianas, lembrando-nos o último período, o mais espiritual, de John Coltrane. Ficamos imediatamente a perceber o que está em jogo: Gauci toca saxofone tenor, e não há nenhum saxofonista tenor no mundo que não esteja em dívida para com o grande mestre desse instrumento. Ouvimos “Nididhyasana” e sentimos inevitavelmente que se trata de algum tipo de tributo a Trane. Se de facto assim é, o líder deste quarteto não o diz – é uma questão pessoal. Stephan Gauci, antigo pupilo de dois consagrados do “mainstream”, Joe Lovano e George Garzone, gosta de tocar com outro sopro ao seu lado, e no presente CD esse lugar é ocupado por Nate Wooley, um dos mais audaciosos trompetistas da improvisação dos nossos dias. Uma combinação fantástica e inesperada, além de uma óptima indicação do conteúdo aqui encerrado…

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Steve Lehman Manifold (Clean Feed)

Steve Lehman saxofone alto e sopranino

Jonathan Finlayson trompete

John Hebert contrabaixo

Nasheet Waits bateria

Antigo aluno de Jackie McLean e Anthony Braxton, dois estilistas nas diferentes áreas do jazz em que se afirmaram, o saxofonista nova-iorquino Steve Lehman tem como principal característica o facto de conciliar na sua música aspectos que, à partida, diríamos serem opostos. Segue os primados da chamada “improvisação aberta” herdeira do free jazz, com as suas vertentes de espontaneidade e decisão em tempo real, mas procura estruturá-la de forma particularmente rigorosa, não só em termos formais como de precisão técnica. Gravado na primeira parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra de 2007 e terceiro tomo da JACC Series na “label” Clean Feed, “Manifold” é um claro exemplo desse trabalho de síntese entre contrários. Não está, no entanto, no propósito de Lehman incorrer no tipo de hibridismos que definem a pós-modernidade na música. Com clara fundamentação na estética bop, e apesar das liberdades tomadas (mesmo “For Evan Parker”, em solo de sopranino, não se pode dizer que seja “parkeriano”, apesar de incorporar os multifónicos típicos do músico  britânico), há a preocupação de nos dar a ouvir a “real thing”. É nesse contexto, aliás, que surge o tema “Dusk”, de Andrew Hill, um sentido tributo ao pianista e compositor falecido este ano por um quarteto cuja secção rítmica trabalhou com o homenageado – os excelentes John Hebert no contrabaixo e Nasheet Waits na bateria. Atenção, ainda, a Jonathan Finlayson, jovem trompetista que carrega consigo toda a história do seu instrumento no jazz e pratica os dizeres estampados na “t-shirt” que Lehman vestia em Coimbra: “Develop, don’t destroy.” Um disco exemplar…

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MI3 Free Advice (Clean Feed) 

Pandelis karayorgis piano

Nate McBride contrabaixo

Curt Newton bateria

Não terão muita sorte se pesquisarem na Net pelo grupo MI3. Websites sobre a terceira sequela do filme “Missão Impossível”, com a “megastar” Tom Cruise, abrir-se-ão no vosso monitor com uma insistência enervante. O curioso é que os três músicos que tocam em “Free Advice”, Pangelis Karayorgis, Nate McBride e Curt Newton, estão também envolvidos numa missão que, se não impossível, é pelo menos bem espinhosa: dar continuidade a um padrão do jazz, o trio de piano, que parece ter percorrido todo o seu caminho. E a verdade é que o seu esforço se coroa de êxito, mesmo que sem as ginásticas que vemos Cruise fazer no grande ecrã. Este disco não é apenas mais um opus com piano, contrabaixo e bateria, e sim algo que certamente ouvirão repetidas vezes e colocarão na prateleira dos vossos álbuns preferidos. A anterior edição dos MI3 no catálogo Clean Feed, “We Will Make a Home for You”, não vos prepara para o que encontrarão aqui. Em vez do Fender Rhodes e das tentativas de recuperação desse instrumento “vintage” no contexto do século XXI, Karayorgis toca agora um Grand Piano com máximo efeito. O CD contém tambémalguns velhos temas com novas roupagens, como é o caso de “The Mystery Song”, de Duke Ellington, revisto segundo a interpretação dessa mesma peça que Steve Lacy colocou em “Evidence”. Uma maravilha!

3º Aniversário da Trem Azul Jazz Store

A Trem Azul convida todos os seus amigos e clientes para a festa de aniversário que vai acontecer no próximo sábado a partir das 21h30.

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Queremos fazer um agradecimento especial a todos aqueles que nos visitaram ao longo destes três anos e que muito têm contribuído para a continuidade deste projecto.

Durante estes três anos foram muitas as iniciativas, concertos e exposições que aconteceram neste espaço; dois festivais, Issue 1 e o Improvisível organizado pela Granular, e dois concertos do festival forUard III perfazem os 78 concertos e as 17 exposições em que estivemos envolvidos.

Muitos músicos nacionais tocaram na Trem Azul entre eles destacam-se: Zé Eduardo, Ernesto Rodrigues, Paulo Curado, Carlos Barretto, Vitor Rua, Alípio C Neto, Sei Miguel, Rodrigo Amado, Carlos Zíngaro, Manuel Mota, Pedro Gonçalves, José Menezes, Lisbon Undergound Music Ensemble,

Variable Geometry Orchestra, Rafael Toral, Hugo Antunes, entre muitos outros.

Do panorama internacional já tocaram na Trem Azul: Evan Parker, Mark Dresser, Elliott Sharp, Ken Vandermark, Dennis González, Birgit Ulher, Paal Nilssen-Love, Scott Fields, Michael Attias, Ravish Momin, Ken Filiano, Wade Mathews, Mathias Forge, Mazen Kerbaj, Chris Corsano, Sharif Sehnaoui, Neil Davidson, Patrick Brennan, John Edwards, Paul Dunmall, entre outros.

As exposições são outra actividade que merece a maior das nossas atenções, por cá já passaram vários trabalhos de pintura e fotografia de: Gonçalo Sena, Isabel Simões, Dilar Pereira, Carlos Zíngaro, Nuno Martins, Dennis González, João Henriques, Ana Castanho, João Silva, Susana Pimpão, Carlos Santos, Abdul Moimême, Sérgio Redondo, Tó Tripes, Tim Kerr, Dirty Cop, Cãoceito, Tomás Ferreira e Aya Koretzky.

Amigos músicos não se esqueçam de trazer os instrumentos para a jam session

Exposição “13 PAISAGENS INTERDITAS”

Exposição

De Ana Estevam

5 Dezembro a 7 Janeiro

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“13 PAISAGENS INTERDITAS”

Estas 13 paisagens interditas lembram atmosferas românticas em ebulição, onde se guardam pedaços de tempo. O tempo fica assim inscrito num lugar. O da experimentação, da multiplicidadee da turbulência do gesto fugaz que marca o instante passageiro. Estas paisagens justapõem diversos fotogramas que confluem na superfície da tela, gerando texturas carregadas duma expressão de amor e de morte. Pequenas gotas, pingos, ruínas encantadas de uma inocência feliz. Citando Michaux, diríamos: Paisagens aprazíveis, paisagens desoladas.Paisagens da estrada da
vida mais que da superfície da terra […]. Dilar Pereira

Concerto do Quarteto de Sei Miguel na Trem Azul

Quarteto de Sei Miguel

7Dez

19h30

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SM trompete
Fala Mariam trombone
Pedro Lourenço baixo
César Burago percussão

Sei Miguel toca o seu trompete (de bolso) com consciência plena da história do jazz, permanecendo aberto – enquanto director e arranjador – a ilimitadas fontes e possibilidades sonoras.
Usa em seu trabalho soluções por vezes inovadoras, por vezes
serenamente/ estilisticamente herdadas e por vezes estranhamente simples ou “primitivas”.
O trompetista criou um sistema musical próprio que lhe permite levar peças detalhadas a um estado de rigor assinalável.
Nasceu em 1961, Paris. Viveu no Brasil e em França até radicar-se em Portugal nos anos oitenta. Discografia: Breaker (1988); Songs Against Love and Terrorism (1989); The Blue Record (1990); The Portuguese Man Of War (1993); Showtime (1996); Token (1999); Still Alive in Bairro Alto (2001); Ra Clock (2002); The Tone Gardens (2006).

Fala Mariam. Trombonista. Natural de Lisboa. Alguma formação académica não lhe suscitou interesse pela criação musical. Em 80, durante uma viagem pelo norte da Índia, intuiu o fogo sagrado da verdadeira música, que reencontra no jazz mais iniciático e na gratificante descoberta de diversos trombonistas. “Sideman” de Sei Miguel desde 83, participa em todos os trabalhos deste. Cultora de uma frase sem brilhos fáceis, capaz do expressionismo mas também de surpreendente doçura, Fala Mariam é já uma referência nos actuais desenvolvimentos do dialecto free bop.

Pedro Lourenço. Baixista. Natural de Lisboa. Estudos académicos e multi-instrumentismo levaram-no ao campo da música electrónica, tendo tocado e gravado em projectos diversos. Colaborador de Sei Miguel desde 2002, trabalha com este factores estruturais e estruturantes na forma sonora individual. É hoje praticante quase exclusivo do baixo eléctrico.

César Burago. Percussionista. Angolano. Dedica-se inteiramente às músicas do jazz, pois vê nelas o espírito e a técnica indissociáveis. Presença regular nas orquestrações de Sei Miguel, tem dimensionado com o trompetista, desde 97, um plano de possibilidades e impossibilidades métricas, ambas expressas em trabalhos onde a percussão (principalmente a pequena percussão) ganha um enigmático valor melódico.

Olga Prats apresenta “Piano Singular”


A capa do novo disco de Olga Prats, da TREM AZUL, à venda a partir de dia 29 de Novembro em todo o país. O lançamento será no CCB, Sala Lopes-Graça, no próximo dia 3 de Dezembro (2ª feira), às 18:30, entrada livre. Olga Prats tocará excertos deste disco (o recital maior ocorrerá no dia 6, no Instituto Franco-Português, às 19:00, em concerto transmitido em directo pela RDP – Antena 2), que teve direcção artística e notas minhas, bem como inclui duas obras, também de minha autoria, dedicadas à grande pianista portuguesa, entre peças de Rameau, Bach, Schubert, Liszt, Wagner, Brahms, Berio, Part, Chick Corea, Chostakovitch, Janacék, Constança Capdeville e Sara Claro, entre vários outros

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