Novo disco do decateto de Peter Brotzmann

Peter Brotzmann’s Chicago Tentet American Landscapes 1 & 2” (Okka Disk)

tetwet.jpg

Peter Brotzmann saxofone alto e tenor, clarinete e tarogato

Mats Gustafsson saxofone baritono e slide-saxofone

Ken Vandermark saxofone tenor e baritono, clarinete

Joe McPhee saxofone alto e trompete

Hannes Bauer trombone

Per-Ake Holmlander tuba

Fred Lonberg-Holm violoncelo

Kent Kessler contrabaixo

Paal Nilssen-Love bateria

Michael Zerang bateria

Se só em anos recentes Peter Brotzmann parece ter ganho algum sentido da nuance, alterando uma abordagem que durante décadas manteve a extrema agressividade de “Machine Gun”, o álbum que em 1968 o deu a conhecer, em edições anteriores do seu Chicago Tentet ficámos com a impressão de que tal mudança não e aplicava à música que faz com agrupamentos de grande formato, e designadamente este seu ensemble que reúne músicos americanos de Chicago e músicos europeus que na Cidade do Vento são especialmente apreciados. A abertura do único e longo tema que ocupa o primeiro volume de “American Landscapes” mostra-nos que até à frente de um decateto capaz de deitar a tenda abaixo (Mats Gustafsson, Ken Vandermark, Joe McPhee, Johannes Bauer, Per-Ake Holmlander, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Paal Nilssen-Love e Michael Zerang não são propriamente “suaves”) o saxofonista e clarinetista alemão tem agora a habilidade de variar a intensidade e a densidade dos seus projectos. É certo que este início num pianissimo colectivo em crescendo chega mais adiante ao limiar do caos, mas há um verdadeiro jogo de dinâmicas e não se segue a corta-mato para chegar ao destino intencionado. São bastantes e diversos os factores de mudança patenteados: o “groove” do trabalho baterístico, não propriamente conotável com a “free music”, os espaços de descompressão ao longo do trajecto, inclusive com inusitadas pinceladas de lirismo, ou a subdivisão da “big band” por grupos mais pequenos, com curiosos emparelhamentos de instrumentos (por exemplo entre o trompete de bolso de McPhee e o saxofone “slide” de Gustafsson). Mais maduro e mais sabido, Brotzmann aprendeu a gerir a energia de outro modo, e com certeza que com maior eficácia. Quando o Tentet abre a goela, apercebemo-nos realmente disso…

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