Concerto Marcello Maggi/José Oliveira

Concerto na Trem Azul

Dia 27Set

19H30

Marcello Maggi_trombone e trompete

José Oliveira_percussão

Entrada 3 euros

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Chris McGregor’s Brotherhood of Breath

Chris McGregor’s Brotherhood of Breath Brotherhood (Fledg’ling)

Mongezi Feza trompete

Harry Beckett trompete

Marc Charig trompete

Malcolm Griffiths trombone

Nick Evans trombone

Gary Windo saxofone tenor

Alan Skidmore saxofone tenor

Mike Osborne saxofone alto

Dudu Pukwana saxofone alto

Chris McGregor piano

Harry Miller contrabaixo

Louis Moholo bateria

Por esta altura, músicos como Chris McGregor, Mongezi Feza, Johnny Dyani, Dudu Pukuana e até Louis Moholo (este último o único ainda vivo), ganharam o estatuto de mito. Porque se trata(va) de grandes instrumentistas – e McGregor também um extraordinário compositor e director de orquestra –, mas sobretudo devido às circunstâncias em que o seu trabalho se deu a conhecer no hemisfério Norte do planeta. Nascidos na África do Sul, exilaram-se em Londres para fugir ao Apartheid. Com músicos locais – alguns deles distanciados do espartilho do “swing” – propuseram uma música particularmente ritmada e até de carácter “gingado”, graças ao enlevo e à sensualidade da kwela. Este é o contexto das reedições que têm sido feitas dos discos da “big band” Brotherhood of Breath e dos anteriores Blue Note, sendo “Brotherhood”, de 1972, o segundo álbum da primeira destas formações, cunhado sobre as coordenadas do orquestralismo jazzístico de Duke Ellington a Sun Ra, passando por Charles Mingus. Nunca antes ou depois músicos britânicos como Malcolm Griffiths, Nick Evans, Marc Charig, Harry Beckett, Alan Skidmore, Mike Osborne e Gary Windo tocaram tão dentro da lógica do jazz, dando-nos a crer que o jazz de formato africano ainda é mais jazz do que o americano. E no entanto, se a música vai ao encontro das suas raízes, a vertente vanguardista da improvisação europeia está aqui bem patente. Foi com discos como este que o território do jazz dilatou…

Começa hoje a segunda edição do Festival Clean Feed em Nova Iorque

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Mais informações em http://www.cleanfeed-records.com/

Novo disco do decateto de Peter Brotzmann

Peter Brotzmann’s Chicago Tentet American Landscapes 1 & 2” (Okka Disk)

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Peter Brotzmann saxofone alto e tenor, clarinete e tarogato

Mats Gustafsson saxofone baritono e slide-saxofone

Ken Vandermark saxofone tenor e baritono, clarinete

Joe McPhee saxofone alto e trompete

Hannes Bauer trombone

Per-Ake Holmlander tuba

Fred Lonberg-Holm violoncelo

Kent Kessler contrabaixo

Paal Nilssen-Love bateria

Michael Zerang bateria

Se só em anos recentes Peter Brotzmann parece ter ganho algum sentido da nuance, alterando uma abordagem que durante décadas manteve a extrema agressividade de “Machine Gun”, o álbum que em 1968 o deu a conhecer, em edições anteriores do seu Chicago Tentet ficámos com a impressão de que tal mudança não e aplicava à música que faz com agrupamentos de grande formato, e designadamente este seu ensemble que reúne músicos americanos de Chicago e músicos europeus que na Cidade do Vento são especialmente apreciados. A abertura do único e longo tema que ocupa o primeiro volume de “American Landscapes” mostra-nos que até à frente de um decateto capaz de deitar a tenda abaixo (Mats Gustafsson, Ken Vandermark, Joe McPhee, Johannes Bauer, Per-Ake Holmlander, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Paal Nilssen-Love e Michael Zerang não são propriamente “suaves”) o saxofonista e clarinetista alemão tem agora a habilidade de variar a intensidade e a densidade dos seus projectos. É certo que este início num pianissimo colectivo em crescendo chega mais adiante ao limiar do caos, mas há um verdadeiro jogo de dinâmicas e não se segue a corta-mato para chegar ao destino intencionado. São bastantes e diversos os factores de mudança patenteados: o “groove” do trabalho baterístico, não propriamente conotável com a “free music”, os espaços de descompressão ao longo do trajecto, inclusive com inusitadas pinceladas de lirismo, ou a subdivisão da “big band” por grupos mais pequenos, com curiosos emparelhamentos de instrumentos (por exemplo entre o trompete de bolso de McPhee e o saxofone “slide” de Gustafsson). Mais maduro e mais sabido, Brotzmann aprendeu a gerir a energia de outro modo, e com certeza que com maior eficácia. Quando o Tentet abre a goela, apercebemo-nos realmente disso…

Novo disco de Joe Fiedler na Clean Feed

Joe Fiedler Trio The Crab (Clean Feed)

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Joe Fiedler trombone
John Hebert contrabaixo
Michael Sarin bateria

Se pensam que não existe qualquer ligação entre Wynton Marsalis e Anthony Braxton, façam o favor de investigar. Existe, e isso graças ao trombonista Joe Fiedler, um dos poucos praticantes das técnicas multifónicas cunhadas por Albert Mangelsdorff e Paul Rutherford. Fielder é o único músico que tocou com ambas essas luminárias, partes opostas de uma muito falada polémica sobre as fronteiras do jazz, e esse facto não é uma surpresa se soubermos que a sua biografia assinala colaborações com nomes e formações que vão de Lee Konitz, Mingus Big Band e Lionel Hampton Orchestra a Cecil Taylor, Myra Melford e o grupo de homenagem Fast and Bulbous (ao vocalista e compositor de rock experimental Captain Beefheart). Tendo em conta tais conexões com a tradição e com as práticas vanguardistas, quando um novo disco de Joe Fiedler é colocado em circulação de uma coisa podemos estar certos: o seu conteúdo musical será fiel à história e ao mesmo tempo terá a abertura necessária para permitir a construção do futuro. É isso precisamente o que ouvimos em “The Crab”, o regresso deste enorme músico que a imprensa já designou como um “bad-ass”ao catálogo da Clean Feed. Fiquem, pois, avisados: ele está exactamente no meio de todas as coisas que vão acontecendo no planeta Jazz e este CD é uma clara evidência desse facto.

 

Jazz às Quintas – Variable Geometry Orquestra

Jazz às Quintas
CCB
13 Setembro 22h45

Variable Geometry Orchestra Dir. Ernesto Rodriguesimage013.jpg

A música produzida pela Variable Geometry Orchestra resulta do jogo de acumulação e interacção de massassonoras, provenientes de diversos meios, sejam eles acústicos, eléctricos ou electrónicos, numa tentativa decontínua busca de pequenos detalhes e significados em termos musicais/sonoros.Através da estruturação da orquestra em pequenos grupos (naipes) instrumentais, a composição em temporeal oscila entre a organização formal do caos, do “tutti” orquestral, onde existe uma tentativa de aplicaçãode novos conceitos de indeterminação e composição instantânea, e situações de dialogo de pequenos grupos.Estas, contribuem para uma erupção assimetricamente alternada de momentos de som e silêncio(ausência de som identificável), seja pela emissão de sons de características subliminares e psico-acústicas,seja pela completa ausência de sons, permitindo assim aos músicos recuperar o seu ritmo natural de respiraçãoe sentido aleatório de pulsação

Alípio C Neto – The Perfume Comes Before the Flower

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Alípio C Neto Quartet The Perfume Comes Before the Flower (Clean Feed)

Alípio C Neto saxophone tenor
Herb Robertson trompete
Ken Filiano contrabaixo
Michael T.A. Thompson soundrhythium percussionist
Ben Stapp tuba (nos temas 3,4,5)

O saxofonista e compositor brasileiro (de Floresta, Pernambuco) que reside e trabalha em Lisboa está a tornar-se num caso muito sério, e “The Perfume Comes Before the Flower” atesta que a sua importância está a extravasar a cena jazzística nacional. Com parceiros como os nova-iorquinos Herb Robertson (trompete e corneta com surdinas, flautas), Ken Filiano (contrabaixo) e Michael T.A. Thompson (baterista e percussionista “soundrhytium”), e ainda o jovem tubista californiano Ben Stapp em três das faixas, este novo CD do líder dos grupos transnacionais IMI Kollektief e Wishful Thinking (também com edições na Clean Feed) tem todas as condições para abrir portas e janelas de oportunidade para este determinado músico que dá pelo nome de Alípio C. Neto. E porquê? Porque é um excelente disco, e sem dúvida que um dos melhores títulos lançados em 2007 (até à data, pelo menos).Entre duas tradições, a do hard bop e a do free jazz, e duas abordagens, a composição e a improvisação, esta é umamúsica feita de associações: entre timbre e textura, “drive” e detalhe, organização estrita e quase caos. Até as peças têm dois títulos cada, à vossa escolha, e se o perfume chega mesmo “antes da flor”, podem perguntar o que aparece primeiro nestes sons, se o “ovo” ou a “galinha”. Nunca conseguirão obter uma resposta, tal é a mistura de materiais e referências aqui percebida. Soberbo e fundamental, se quiserem saber para onde vai o jazz por estes dias.

Exposição de Pedro Vieira

Exposição

Trem Azul Jazz Store

11 Set a 31 Out

EXPOSIÇÃO DO ILUSTRADOR PEDRO VIEIRA
ONDE O JAZZ E A POLíTICA SÃO OS TEMAS DOMINANTES

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     31×31

Uma exposição de ilustração de Pedro Vieira baseada no conceito imaginário, com as respectivas medidas

Correctas em centímetros; obras que os ilustrados nunca gravaram, mas que eu gostava que o tivessem feito.

16 figuras maiores da música coladas a uma parede por um anónimo.

Há improvisos que nem o jazz devia admitir.

Lado B

Uma sala forrada por figuras retratadas no blogue irmaolucia, propriedade do mesmo autor,

de 31 anos, natural de lisboa, e de profissão oscilante.

Hino a tudo menos ao bom senso.

http://irmaolucia.blogspot.com/

IMI KOLLEKTIEF Jazz às Quintas

IMI KOLLEKTIEF

06 de Setembro

CCB

22h45

Jazz às Quintas


Alípio C Neto – saxofone tenor
Jean-Marc Charmier – trompete, flugelhorn, acordeão
Jeffery Davis – vibrafone
Hugo Antunes – contrabaixo
Rui Gonçalves – bateria

Brasileiro do Pernambuco radicado em Lisboa, depois de uma passagem pelo Alentejo, Alípio Carvalho Neto tem-se tornado num caso muito sério da música criativa praticada neste canto da Europa. Com actividade paralela como linguista, professor universitário de literatura e poeta, é este saxofonista tenor a alma e o motor do IMI Kollektief, combo multinacional que actua na intersecção do jazz pós-bop e pós-free com as músicas improvisada e contemporânea. Com uma sonoridade bem actual que não dispensa a utilização de âncoras melódicas e uma sustentação rítmica viva, aplica-se a esta formação a máxima de dar resposta aos desafios do tempo em que vivemos. Ao lado de Alípio C Neto neste projecto estão o trompetista / acordeonista Jean-Marc Charmier, o vibrafonista Jeffery Davis, o contrabaixista Hugo Antunes e o baterista Rui Gonçalves. Timbre, tonalidade e textura: são estes os três T da música do IMI Kollektief, sempre procurando estratégias de contraste, que não um mínimo denominador comum falsamente conciliador.

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