Ornette Séc.XXI

Sound Grammar

Sound Grammar interrompe um silêncio de dez anos

O final de 2006 marcou a chegada duma nova obra de Ornette Coleman, dez anos depois de ter publicado Sound Museum, um quarteto que contava com a pianista Geri Allen, e Colors, a gravação dum concerto em Leipzig em duo com o pianista Joachim Kuhn. Novamente registado ao vivo na Alemanha, este quarteto, com um Ornette a lembrar porque é um dos últimos génios do jazz, retoma um conceito que o saxofonista explorou em 1965 com um trio que incluía o contrabaixista David Izenzon e o baterista Charles Mofett. Esta fórmula de agora, com dois contrabaixistas, um sempre em pizzicato, o outro sempre com arco, já tinha sido ouvida em gravações piratas feitas em Itália no final da década de 60,em que a Izenzon se juntava a Charlie Haden. Neste Sound Grammar Ornette toca com a inimitável individualidde que fez dele um guia do free jazz. Ornette sempre cantou no instrumento de forma simplese gritada, sempre projectou uma intensa emoção, sempre revelou uma extravância tonal muito própria em que a tonalidade e acordes não são primordiais, mas nunca esqueceu a força do swing e dos blues.

Sound Grammar é esmagador. O quarteto, com o filho Denardo mais efectivo do que em outros tempos, cria, com o seguro Greg Cohen, um pulso e entrosamento com a composição ainda mais salientada pelo trabalhodo arco de Tony Flanagan, construindo uma música de impacto que capta os ouvidos desde os primeiros compassos. Coleman recupero três dos seus clássicos, Song X (da colaboração com Pat Metheny), Sleep Talking (de Of Human Feelings) e o grande blues dos seus inícios de 1959, Turnaround. As novas composições têm a sua chancela de comunicação instantânea, do lirismo angular de Once Only e Waiting for You, à alergia latina de Matador ou ao groove de Call to Duty. Este disco prova que Ornette Coleman está ainda para dar cartas, criando uma obra para o século XXI, sem abdicar das suas raízes e sendo um exemplo de honestidade para tanto jazz que se intula de vanguarda. Brilhante!

***** (cinco estrelas)

Raul Vaz Bernardo (Expresso)

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