Original Silence

Original Silence

Original Silence The First Original Silence (Smalltown Superjazz)

Tem nome de banda mas não é uma banda. Apesar de colaborações anteriores entre alguns dos seus membros, só se reuniram com este formato (Thurston Moore, Mats Gustafsson, Jim O’Rourke, Terrie Ex, Paal Nilssen-Love e Massimo Pupillo) uma única vez, e para tocarem num concerto em Itália, há dois anos, sem temas nem ensaios. Ou seja, o que aqui vai, sob a designação de “The First Original Silence” (pressupondo que outros tomos se seguirão, mas se assim for será necessário juntá-los de novo, tarefa nada fácil considerando as respectivas agendas destes músicos) trata-de de improvisação total. Algo que já foi descrito na Net como uma junção de Ornette Coleman com os Stooges de “LA Blues” e que suscitou o seguinte comentário de Nilssen-Love, na sua recente passagem por Lisboa com os 4Corners: «That’s shit. Good shit.»

Para quem ainda não identificou os nomes, damos uma ajudinha: Moore é o primeiro guitarrista do grupo de rock experimental Sonic Youth, O’Rourke pertenceu a este durante cinco anos e foi metade do projecto de “weird pop” Gastr Del Sol, Terrie Ex é membro do colectivo punk anarquista The Ex, conhecido pelas suas incursões com gente da “música não-idiomática”, Pupillo é o mentor dos italianos Zu, uma mescla de metal e funk com pespontos proto-jazzísticos de saxofone. Gustafsson e Nilssen-Love já serão mais familiares aos amantes do jazz, o primeiro à frente do trio The Thing, o outro um parceiro habitual de Ken Vandermark. Imaginá-los juntos (nada que não nos tivesse passado pela cabeça) era algo da ordem do sonho ou, enfim, do pesadelo, dado que tal só poderia resultar em impactos destrutivos. E assim é, de facto.

O que encontramos é um magma sonoro muito perto da cacofonia, mas evitando esta precisamente quando a coisa ameaça desabar. Os baixos e os registos graves dominam, muito por conta do anasalado sax barítono de Mats, do endiabrado, mas pujante de ritmo, baixo eléctrico de Massimo e da guitarra distorcida de Terrie. A bateria de Paal estrutura, agindo como uma locomotiva a vapor subindo uma encosta, e tanto a guitarra de Thurston como as electrónicas de Jim (nem sempre é possível distingui-las, tão interdependente é a sua laboração) puxam como podem as frequências para cima. Arrasador, e a definitiva confirmação de um estatuto que até agora não era mais do que tentativo: o de um efectivo free rock. Sim, rock, porque no doseamento são as sonoridades deste que ficam a ganhar, mesmo que os fãs de Marilyn Manson possam não o reconhecer como tal.

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