Brian Groder | Torque

Brian Groder

 

 

 

 

 

Bom trompetista, este Brian Groder, merecedor de que o seu nome seja mais reconhecido do que é. Mas como a realidade das coisas funciona assim, “Torque” está a chamar as atenções não tanto pela qualidade superior das composições e dos improvisos do líder e da excelente secção rítmica constituída por Doug Mathews e Anthony Cole, e sim pelo facto de o homem da flauta e dos saxofones se chamar Sam Rivers. E um Rivers nada diminuído pela sua já provecta idade, intenso sempre e por vezes até surgindo com a força de um tornado. A geral atmosfera do disco tem algo da dos finais da década de 1950, altura em que se espalhavam as sementes do free jazz, mas é tudo menos nostálgica, tirando argumentos a quantos lamentam o saudosismo da “new thing” hoje existente mas não fazem igual crítica às actuais reproduções do bop, considerando este o limite e o apogeu do “verdadeiro jazz” e por isso justificadamente repetível, se possível ad eternum.

Pois o que aqui está é bem o jazz tal como se entende nos nossos dias, swingado, vibrante e pleno de vitalidade. Neste aspecto, a contribuição de Cole, o baterista, é fundamental. Segura os remos e chega a transformar-se no próprio barco, como no solo de “Involution” (título de sabor irónico?), algo que já não vai sendo habitual ouvir em disco. Mas não se pense pela descrição que ao longo das faixas é tudo meia bola e força: Groder pode ter um som quente, muito particularmente quando pega no fliscórnio, mas a sua lógica discursiva é sempre acentuadamente melódica e prefere a subtileza (reparem como ele lida com as dinâmicas) ao óbvio. Quanto a Sam Rivers, oiçam o pico agridoce do seu som ao tenor e tentem lembrar-se de mais alguém que toque assim… Não encontraram um nome que fosse, pois não? Mais um motivo para ouvir o presente álbum com a devida atenção, pois aos 83 anos este magnífico saxofonista não terá, infelizmente, muito mais estrada para percorrer. Além de que, na música como nas artes vinículas, o número de primaveras somadas continua a ser uma garantia de refinamento.

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