Cento e Vinte Segundos
Março 27, 2007 por Trem Azul

De 3 de Abril a 3 de Maio
Esta série de pinturas resulta de um projecto desenvolvido a partir de 2004 em torno da ideia de processamentos sobrepostos da imagem, do conceito de paisagem e dos mecanismos de percepção e memória num contexto contemporâneo.
A utilização de meios tecnológicos como etapas intermédias do processo criativo integra esta temática recorrente da pintura com um questionamento em torno da própria natureza da imagem, mais concretamente enquanto reprodução e representação.
Implicando a paisagem um determinado tempo, um determinado espaço e um ponto de vista sobre essa realidade, estes trabalhos partem da captura de dois minutos de diversas situações quotidianas através de uma câmara de video digital, reduzindo-se ao mínimo a manipulação do equipamento. Este registo de imagens em movimento e som é posteriormente fotografado enquanto está a ser reproduzido num écran.
É com base nas fotografias daqui resultantes, quatro para cada situação, que as pinturas são executadas. Não a partir do‘natural’, mas de uma memória confiada a instâncias alheias e a sucessivas transcrições de conteúdo filtrado por processos tantodigitais como analógicos.
A paisagem deixa de ser uma experiência e uma vivência da realidade para se codificar em informação. E é através de um olhar contaminado e fragmentado sobre imagens (descodificações) que ela se constrói e é devolvida sob a forma de pintura. O carácter mais ou menos ambíguo e/ou abstracto das paisagens resultantes é uma etapa de um caminho sem retorno. Quem a olha nunca será remetido para a origem mas sim para um novo destino.
03.04.2007 | Patrícia Nazaré Barbosa
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